quinta-feira, 17 de junho de 2010

Soneto a carvão



Roubei do negro corvo as lúgubres penas
Com elas peneiro agora a minha penitente alma
Por consolação que estranhamente me acalma
Guardei delas, a medo, apenas as mais pequenas. 

Dessas, de tão sórdida, cruel e negra lembrança,
Arredei as mais impuras mas sãs loucuras,
Restaram, para meu desconsolo, as mais escuras
A constranger com força as réstias de esperança.

Assim me pavoneio, fingindo que não são minhas
As tristezas que desta forma inglória carrego
Antes tivesse eu pilhado a mais fofa das galinhas,

Não teria agora o corvo a tentar que as restitua.
Debato-me no meio da rua, a eito, como um cego
Tentando manter minha a roupagem que era sua.


© CybeRider - 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

No funeral, outra vez

Numa busca pelos motores…
Coisa curiosa esta de buscar nos motores, dantes encontravam-se manchas de óleo, de gasolina, chatices, tubos e fita cola, miríades de fios emaranhados que nem cabelos; por isso não se lhes buscava grande coisa… Encontrei vários valores para o olho de Camões.

Uns, que custou dois tostões; outros, que custou cinco; há quem avente dez. Fica-me a sensação de que a cotação do olho de Camões variou com o aumento da inflação, assim como se houvesse já cotação de bolsa para coisa tão valiosa. Não me custa imaginar que no mercado as tabuletas das frutas e legumes tenham sustentado escritos a gritar por dois olhos de Camões o quilo de tomate ou, no talho, seis olhos de Camões o quilo de maminha. Palpita-me a crítica por pôr as maminhas a valer mais que os tomates, mas ninguém é perfeito.

Não faço a mais pálida ideia de quanto valeria agora um olho de Camões. Penso que, se o dele, homem de gabarito, valeria tanto ou tão pouco, um meu valeria decerto bastante menos. E a falta que me faz! Ainda imaginei uma hipotética cotação para os meus olhos mas, da maneira que estão as coisas, talvez não seja a melhor altura para estes raciocínios; até porque sem termo de comparação ainda haveria alguém que me arrematava algum e lá se me ia a honra se o não vendesse. Assim, para não ter de pôr uma venda num olho, resolvi não pôr um olho à venda. Muito menos dá-lo à pala.

Embrenhado por estes pensamentos, dou-me a confrontar a potencial carga de água que terá trazido para este dia a celebração do Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas, na data de triste memória da morte do grande poeta. É que não gostaria que nada se celebrasse por memória da minha morte, calculo que ele também não. Deveria ser a vida o que deveríamos lembrar e o nascimento que deveria sempre surgir-nos em mente. A recordação da morte de alguém deveria servir apenas para nos assinalar que nesse dia ficámos mais sós; para o mal nuns casos, para o bem noutros.

A data de nascimento, por outro lado, além de ter potencialmente sido já escolhida para muitas festas em homenagem do visado, teria a causalidade necessária para nos elevar de gratidão e bons sentimentos, sempre que ele fosse pessoa memorável e singular.

Assim a cada 10 de Junho lá fico com esta sensação estranha de que todo este alarido é para nos recordar de um funeral, o que aliado ao nome do meu país, não me augura nada de bom.

Mas sei que algures estarão pousados, como abutres, os que aguardam a morte do próximo génio patrício, para instaurar nesse o Dia Nacional dos Valores Humanos, decerto com mais justiça.


© CybeRider - 2010

domingo, 30 de maio de 2010

A terceira lei de Newton

"Para cada acção há sempre uma reacção, oposta e de mesma intensidade."

O Newton sabia-a toda. Tanto que fica assim explicado!

Toda a dedicação ultrajada pela realidade que nos reprime. Vezes tantas que a tentativa de aproximação gera a repulsa. E os vice-versas que nos corrompem a solidão. O telefone toca. Dá-me aquela vontade tão familiar de o atirar pela janela.

“Estou?…“

Estou, farto que me façam puxar pela cabeça. Já por um braço ou por uma perna levam-me para todo o lado. Pela cabeça, não. Resisto. Temo a cedência ao que desconheço, procuro sempre enraizar-me aos meus tubos de ensaio virtuais onde deixei os sentimentos fumegantes, em análise.

Estou, em sofrimento quando a apatia se entranha. A sensação do inútil, do tempo que me aproxima do cadafalso, inexorável. É a sedição que me empurra à acção, tantas vezes intempestiva, tantas vezes também relampejante e tempestuosa. Tanto mais quanto a apatia me devore. A chuva e o frio que emanam da minha alma atormentada geram vagas de tolerância, que não mereço. Sorrio. O telefone paira-me a centímetros dos dedos, entre o merecido descanso e a janela aberta para aplacar o calamitoso Verão, fora de horas. Por instantes não sei onde irá parar, é a fraca aragem que o transporta, em simbiose com a pequena força com que tenta impor-se ao calmão, talvez também fruto do fenómeno newtoniano. Eu queria a janela, consequentemente, ele quer o descanso. Alguém queria que ele parasse de tocar…

“Estou?...”

Estou, como um pequeno insecto no vislumbre do canto em que aquela vespa agarra a sua aranha, entre as pequenas patas finas mas titânicas, o abdómen contorce-se-lhe enquanto espeta o ferrão erecto, obsceno, uma e outra vez. A aranha abandona-se ao consentimento, como dois amantes que o degredo tivesse separado um dia e se encontrassem agora. Mas ali não é o amor que os une, talvez por isso todo o acto seja de uma imaculada perfeição, não existem factores exógenos, nem história que os reprima. Assim, não me vêem. Sinto-me como o tarado que não deveria estar ali a mirar tanto empenho naquela união casual, mas não gratuita. Por isso afasto-me, a pensar se daquele ódio ocasional não nascerá um amor sem tempo, infinito e desejável. Sem saber ao certo se quero ser vespa ou aranha. Sei que quando sou vespa o meu dia tem sequela. Nunca me consigo imaginar noutro lugar. Já me convenço de que nasci para envenenar. Envenenar suporto, tiro sempre partido das minha inoculações. Mortifico-me porém se me sinto envenenado, temo por isso ferrão que me trespasse. E no entanto…

“Estou?...”

Estou, ciente de que as vespas são tão grandes que nem as vejo. E o resultado da sua acção talvez só o saiba daqui a meses. Passo assim cada dia, apreensivo por poder vir a parir diabo que me coma. Mas talvez, pela lei de Newton, seja eu parido por anjo que me adormeça.

Por esta lei, da física elementar, só o bem morre com culpa.


© CybeRider - 2010

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cá-ca-rá-cá-cá-cá... cá-cá...

Até nem me importarei de pagar mais impostos.

Pago-os porque a lei o impõe e a consciência me dita que o devo fazer para beneficiar do meu estatuto de cidadão. Cidadania compreendo.

Este estatuto deveria assegurar-me a tutela que considero fundamental para a manutenção da sociedade em que estou inserido. É para isso que pago impostos, que sou sugado pelo colectivo que sinto alimentar numa percentagem bastante injusta, principalmente porque sagra a precariedade. A justiça é precária; a educação é precária; o trabalho é precário; a saúde é precária obrigando-me a preteri-la sempre que possível pelos serviços de privados autónomos, como eu, que também não tenho tempo para aguardar sem ela nem a cura, meses a fio, o que protelaria o meu bom desempenho fiscal, e sem ressarcimento que me reconheça o esforço; a assistência social não foge à regra; agora a economia é precária também. Só a contribuição dos cidadãos parece evadir-se a esse modelo.

Se para além dos contributos que me exigem, sou ainda vítima da acção de grupos de meliantes que me roubam o que resta, e de onde como, e que coloca em perigo a minha integridade física e psíquica, ou a dos meus, a minha função social começa a parecer-me principalmente uma obra de caridade pela qual não estou a ser suficientemente agraciado.

Já quero saber pouco de que partido ocupe a cadeira do poder. Mas parece-me que, seja qual for, desde que viva da caridade alheia para assegurar o comando das operações, deveria abandonar a arrogância e a prepotência, sob pena de nos estar a tornar a todos em meros servos revoltosos.

Algo estará profundamente errado se diariamente nos sentirmos inseguros, ao executarmos as tarefas normais do dia-a-dia, sempre a olhar para o lado à espera da próxima extorsão ou da próxima violência.

Não sei bem como, mas há grupos de ladroagem a agir no metropolitano de Lisboa. Nas ruas também me levaram quatro rodas, que me trocaram por tijolos de que não precisava. Atacam diariamente. Não creio que a sociedade devesse consentir que quem quer que fosse pudesse ser assaltado ou roubado em locais de utilidade pública, no decurso da sua vidinha normal e contributiva, sem contrapartida. Principalmente quando eu tenho de pagar quando falho.

Antes de gastar, investir, orientar em processos mais ou menos duvidosos que envolvem riscos típicos da acção dos privados em busca de mais-valias de seu exclusivo risco e responsabilidade, como eu faço, entendo que o Estado assim pseudocapitalista, que não me suporta financeiramente, deveria cuidar das suas galinhas-dos-ovos-de-ouro; nós os contribuintes, caso não tenham reparado.

Se temos de encarar esta realidade como normal, pelo menos que conste na declaração de imposto uma dedução específica, mais que justa, onde figure a totalidade do património lesado porque, pela fatia que me toca, sem indemnização ou amortização equitativas estou a ser diferenciado. 


Até esse dia, em que haja um pouco mais de justiça social, cá fico a aguardar pouco pacientemente a próxima punhalada, de mãos e pés bem atados, que também nisso este tutor é inexorável, concedendo o direito de defesa apenas a quem nada tiver a perder.

Já estou quase lá.



© CybeRider - 2010

domingo, 9 de maio de 2010

Deprecada

Vai, feiticeiro! Espera-te a tribo a Oeste.

Que anseia por te ver sair do ventre do pássaro mágico que te transporta.

Vai, curandeiro albino! Desce ao terreiro onde os gritos das danças da chuva hoje não se ouvem. Reúne as hostes celestes e pacifica as negras almas. Exorciza os demónios que os poluem e exorta as almas puras que apazigúem os espíritos crentes, que os outros já estão em paz. Perdoa a culpa dos pecadores dos homens e faz erguer aos céus eternos o éter dos que partiram na tua fé.

Nomeia o inominável, que os acalme. Ergue o teu bastão e controla com a tua magia o tresmalhado. Reúne a manada cega e dá-lhe destino. Revigora-lhes as colheitas com os teus poderes abissais e o som das tuas cabaças.

Que o Sol e a Lua te obedeçam para que a noite e o dia voltem a reinar nessa terra cinzenta, queimada, poluta.

Tu que falas com os deuses de todas as línguas, pede misericórdia para esses indígenas e abençoa-lhes as chagas que os envergonham. Transforma a água que bebem em néctar que lhes sare todas as maleitas.

Milagreiro puro, virginal e imaculado, escuta a voz dos homens e transmite-lhes o conhecimento do infinito, para que se imbuam de novo daquilo a que chamam esperança.

Envergonha-os, da nudez em que deixam desprotegidos anciãos e infantes, irmãos e irmãs. Mostra-lhes que os deuses não têm conchas nem jogam nas cartas o destino que os submeta. Aceita as suas dádivas e sacrifícios sentidos no pó do terreno soalheiro.

Leva-lhes às cabanas modestas, que habitam, o brilho divino que há muito esqueceram. Pede por eles à terra que lhes seja firme aos passos e leve no sepulcro. Apela às ossadas dos ancestrais de tantas cruzadas, que te adornam as vestes, que renovem o poder incomensurável dos amuletos que trazem agora à tua presença.

Escuta-lhes todos os rumores, medita no compasso dos tantãs que te celebram, como se fossem dedicados a mim.

Faz com que as bestas lhes sejam de novo inferiores. Liberta-te da opulência e da soberba. Diz-lhes a verdade sobre os meus poderes, explica-lhes que apenas criei o universo, pouco mais posso. Mas não uses o meu nome em vão. Os poderes são dos homens, não de um deus.


Nunca acreditarão se tu próprio não acreditares, que podes fazer o que te delego.

Prova-lhes a minha existência; como provarei daqui a dois mil anos, em consequência da tua conquista, que terás existido.

E esquece as epístolas, que o correio anda atrasado.

Eu, to ordeno! Cumpre-o, sob pena de te tornares num deles e passares também tu a adorar-me. Bem sabes que essa é a sua maldição.



© CybeRider - 2010

sábado, 1 de maio de 2010

Trabalho... A quanto obrigas!

Há quem passe pela vida a meio gás, sem se aperceber de como tudo poderia ser tanto melhor ou pior que o que se viveu. Sempre em velocidade de cruzeiro. “Velocidade” só se deveria aplicar ao que fosse inebriante e incauto, a velocidade de cruzeiro é na realidade uma pasmaceira que nos atrofia e nos enraíza ao solo sem capacidade de elevação que nos aumente a adrenalina, como se nos encaixasse sempre na história de que já conhecemos o fim.

E houvesse história de que não conhecesse o fim… Mas conheço-os todos. Reduzi tanto os pormenores singelos dignos de nota que qualquer biografia não me mereceria mais que três linhas, como os dias que tem a vida, não fosse um tremendo esforço para me normalizar em tarefas e pormenores.

Até por isso quando ouço falar em excesso de velocidade me parece um contra-senso. Nada do que seja rápido deveria ser considerado excessivo. A velocidade deveria ser justamente avaliada como um bem, a assegurar e desenvolver, em prol do progresso e da eficiência. Esta afirmação não me enobrece. O meu pensamento é carbónico, lento de pasmar. Chego a adormecer a meio de um pensamento, principalmente ao serão depois de deitado, e nem pensar em tentar juntar na ideia duas coisas ao mesmo tempo, em vez de adormecer ficaria para aí comatoso. Os meus diálogos são por isso bastante aborrecidos, não será fácil dialogar com um interlocutor que leva meio dia para recordar um nome ou várias horas para descrever um facto, entrecortando cada ideia com pausas enormes. Tento dar uma certa musicalidade às frases, para não ter de reanimar quem me intercepte. Mas ainda assim a coisa resulta mal.

Quando é absolutamente necessário elaborar algum discurso imediato acabo por me impor um regime ligado no “nível médio de asneira”, tem riscos calculados e tem funcionado até aqui. Mas acabo a pensar nas coisas que disse e sofro bastante ao compreender todo o potencial que poderia ter aplicado, estivesse eu munido de neurónios mais reactivos.

Até coisas de que possuo imensos pormenores não fluem na hora certa, acabo por recordá-los só quando o receptor já desapareceu no horizonte. Um campeão olímpico estaria em vantagem, em poucos passos actualizava a conversa. Eu fico para ali agarrado ao telefone, a recordar o número, a carregar nas teclas ao acaso… Acabo por deixar para o dia seguinte.

Como agora, por exemplo, tenho a certeza de que havia qualquer coisa que queria escrever hoje, tinha de ser hoje, mas sei lá…

Se ao menos me lembrasse de que dia é hoje…

Ou se me lembrasse do que escrevi há um ano…


© CybeRider - 2010

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Relancionamentos

Vá lá... Não te rias. Não me ofendas. Saberás que me maltratas?

 

Não sei quando me apareceu esta estranha tendência.

Foi há muito que comecei a cativar o gosto, a definir uma preferência inusitada por um certo tipo de coleccionismo. Antes de me começarem a cercear as vistas e a devassar os intentos.  

"Fecha a boca! Olha que entra mosca!"

E eu fechava. E desviava o olhar, como se temesse que me espetassem as agulhas de tricô num olho. Que se tricotava à mão, naquele tempo. Ainda vesti muitas camisolas que as mãos maternas prendadas mostraram ao mundo, e a mim. Tricotadas com aquela paixão com que os meus olhos passavam das suas mãos para os dela, e os meus lábios se entreabriam.

Depois vieram tios e primos, amigos e amigos de parentes. O homem da mercearia, o Justino da papelaria sempre aziado com os catraios, o leiteiro e o padeiro.

"Olha lá o danado do moço! A olhar para mim... Sou muito feia? Sou?..."

Durante anos pratiquei esse fetiche. Bambaleando as pernas no banco do autocarro ou do cacilheiro. A viagem era sempre curta, ou parecia; a paisagem sempre variada, e as moscas iam-se mantendo à distância. Eram os rostos que me interessavam, a posição das orelhas, os trejeitos, o tamanho do nariz, a estranheza da calva. Embriagava-me aquela variedade.

"Que foi? Nunca viste?"

Começaram depois a disparar. E eu, envergonhado, corava e não respondia. Tinha vontade de lhes explicar, que não. Que nunca vira aquela composição bela de traços e formas, de cambiantes e gestos. Mas nunca fui bom com as palavras, principalmente as faladas. Estragavam o momento e desviavam-me a atenção do cerne do meu interesse.

Com o passar dos anos fui aprendendo a respeitar mais as moscas e a controlar melhor a maxila. Perdi um pouco daquele ar idiota que tão bem me identificava. Sinceramente, era também mais fácil coçar o queixo, onde a penugem despontava, de boca bem fechada.

Os olhos deixaram de me obedecer tanto. Passaram a centrar-se em objectivos mais sexistas e menos adequados ao meu fascínio genésico, dava por mim a mirar inexplicavelmente outros alvos, com cobiça mas sem desagrado. A paixão porém permanecia, mas a boa-educação também. Aprendi com facilidade a não olhar directamente nos olhos dos mais hierárquicos, a não devassar as senhoras casadas; nem, para meu interesse, as solteiras de mau humor. Interiorizei o grande poder que um olhar detém, evitei utilizá-lo a eito como arma temerária, mas também aprendi que há quem afira a honestidade pela tenacidade com que o sustentamos no diálogo, o que não se compatibiliza com muitas das situações que referi. Talvez por isso nos enganemos tantas vezes nos juízos apriorísticos.

Nesta complexidade ainda me surpreende como consegui amansar algumas feras e trazer brasas à minha sardinha, mas consegui.

 

Dei por mim há dias a passar por pessoas sem as ver.

Porque me conheço bem, sei que isso não é bom sintoma. Temo ter deixado de acreditar que valorizem o meu olhar, mas temo sobretudo ter deixado de procurar a beleza naquilo que me rodeia.

Por isso, não te rias, não me ofendas. Não estranhes se vires um estranho a olhar para ti com ar pasmado, e de boca aberta à espera da mosca. Sou só eu, inofensivo, a admirar a tua beleza e a incorporar-te na minha colecção. E será até bem natural que, de ti, nada mais queira.

Nesse dia estarei a caminho da minha cura. Até lá, desejem-me as melhoras, ou a mim ou ao mundo.

 

© CybeRider - 2010