Cortei-lhe o pescoço.
O olhar de piedade não me tolheu os movimentos. Era ele ou eu.
Lavei a faca, depois as mãos. O sangue uniu-se à água numa dança pelo ralo e fugiram-me para sempre, cúmplices do meu acto.
Milénios de apuramento e evolução ali, a escassos momentos de se confundir com o eterno.
Despi-o. Desmembrei-o. Separei-lhe a carne dos ossos numa fervura.
Tinham sido dias e dias a ver as plantas crescer.
Entretanto ordenhara as vacas. Carregara as rações. Limpara os estábulos. Amassara o requeijão. Fizera o queijo e a manteiga. Tratara as galinhas. Afugentara as raposas dos galinheiros. Esmurrara o vizinho que me queria a terra. Matara o porco e fizera-lhe os chouriços. Andara com o mar pelos joelhos e extraíra-lhe os cristais. Pisara as uvas que carregara aos cestos. Suara ao Sol escaldante do meio-dia.
Colhi o arroz.
Pela primeira vez, desde há muitos anos, olhei e vi: o prato de porcelana pura, das minhas mãos de artista.
Estava lá tudo! O arroz, o pato, o sal, o ovo, a manteiga, o chouriço. Ao lado o vinho, no copo que trouxe da Marinha Grande, quando o soprei por um tubo junto ao forno rubro.
Quantos sacrifícios mal pagos para saborear este petisco.
Crise? Qual crise? Não faço tudo sozinho?
Sirva-se quentinho.
© CybeRider - 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
Do calão ao erudito
AS PALAVRAS
Quando era miúdo
Dizia asneiras em vez de palavras
E, sobretudo, dizia palavras
No lugar de asneiras...
Agora, digo palavras que não são asneiras
E asneiras que nem palavras são...
E se tenho motivos para dizer
As asneiras que sei,
Troco-as muitas vezes
Por palavras que não conheço.
Momentos há até
Em que as asneiras que digo
Soam a palavras vazias
E palavras que digo
Soam a asneiras
Que nunca soube dizer.
Quando fios da seda mais branca
Me amortalharem,
Direi decerto muitas asneiras
Em vez de palavras
E muitas palavras
Que nem asneiras chegarão a ser.
Mas hão-de sempre haver
Tantas asneiras demais ditas
E tantas palavras lindas
Que a censura do tempo
Não deixará nascer...
Quando era miúdo
Dizia asneiras em vez de palavras
E, sobretudo, dizia palavras
No lugar de asneiras...
Agora, digo palavras que não são asneiras
E asneiras que nem palavras são...
E se tenho motivos para dizer
As asneiras que sei,
Troco-as muitas vezes
Por palavras que não conheço.
Momentos há até
Em que as asneiras que digo
Soam a palavras vazias
E palavras que digo
Soam a asneiras
Que nunca soube dizer.
Quando fios da seda mais branca
Me amortalharem,
Direi decerto muitas asneiras
Em vez de palavras
E muitas palavras
Que nem asneiras chegarão a ser.
Mas hão-de sempre haver
Tantas asneiras demais ditas
E tantas palavras lindas
Que a censura do tempo
Não deixará nascer...
© CybeRider - 2009
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Poesia
sábado, 7 de março de 2009
Já sei porque é que aquilo foi ao chão!
Já me tinha proposto a não escrever sobre política.
Hoje soube que o célebre Magalhães está errado. Não é o Fernão, esse era de boa cepa. É mesmo o computador dos assessores do nosso 1º... Tem erros de português...
Ora se aquilo foi apresentado ao Hugo Chavez em Setembro de 2008 e estamos em Março de 2009. Pelo menos duas coisas se podem inferir: ou anda tudo a dormir, ou lemos muito devagarinho (o que pode justificar alguns atrasos burocráticos mas não explica decerto a aprovação do Freeport).
O Hugo Chavez, pelo meu lado está desculpado. Como pode ser muitas coisas, mas parvo não é de certeza, abriu, leu, percebeu o conceito e a linguagem bera - melhor do que nós, entenda-se! - e largou aquela (DEPOIS DE ALGUMAS OPINIÕES ESTA PALAVRA FOI CENSURADA PELO AUTOR POR NÃO SE ENQUADRAR NO ESPÍRITO GERAL DESTE BLOG, PELO FACTO PEÇO AS DESCULPAS DO LEITOR E DIGAMOS QUE "COISA" SERVIRÁ OS DEVIDOS PROPÓSITOS) da mão. Depois diplomaticamente apresentou a conclusão do teste de resistência. (A famigerada encomenda será pelo facto dos dele irem em castelhano?)
Estou de acordo. Serve para nivelar os pés da mesa.
"Ah... e tal que foi um senhor emigrante que fez a tradução..."???
Que vem lá a ser isto? Então é assim que tratamos a educação das crianças deste país? E o tal "senhor" foi pago por isso? É que se foi, onde está o concurso público?
Aquela porcaria passou pelas mãos de tanta gente com responsabilidades e ninguém teve a hombridade sequer de ver o que lá vinha dentro?
Não acredito!
Só peço agora que tenham a coragem de dizer a verdade à frente das câmaras e dos jornais: que o Magalhães só tem servido aos senhores da educação, ao senhor primeiro ministro e seus assessores para duas coisas:
FAZER DOWNOLADS ILEGAIS E VER GAJAS NUAS!!!
É por estas e outras que não escrevo sobre política. Agora vou vomitar, de seguida vou-me aos Valiums.
E já sei que não tenho apelo à merecida indemnização. Continuo a pagar impostos como toda a gente.
© CybeRider - 2009
Hoje soube que o célebre Magalhães está errado. Não é o Fernão, esse era de boa cepa. É mesmo o computador dos assessores do nosso 1º... Tem erros de português...
Ora se aquilo foi apresentado ao Hugo Chavez em Setembro de 2008 e estamos em Março de 2009. Pelo menos duas coisas se podem inferir: ou anda tudo a dormir, ou lemos muito devagarinho (o que pode justificar alguns atrasos burocráticos mas não explica decerto a aprovação do Freeport).
O Hugo Chavez, pelo meu lado está desculpado. Como pode ser muitas coisas, mas parvo não é de certeza, abriu, leu, percebeu o conceito e a linguagem bera - melhor do que nós, entenda-se! - e largou aquela (DEPOIS DE ALGUMAS OPINIÕES ESTA PALAVRA FOI CENSURADA PELO AUTOR POR NÃO SE ENQUADRAR NO ESPÍRITO GERAL DESTE BLOG, PELO FACTO PEÇO AS DESCULPAS DO LEITOR E DIGAMOS QUE "COISA" SERVIRÁ OS DEVIDOS PROPÓSITOS) da mão. Depois diplomaticamente apresentou a conclusão do teste de resistência. (A famigerada encomenda será pelo facto dos dele irem em castelhano?)
Estou de acordo. Serve para nivelar os pés da mesa.
"Ah... e tal que foi um senhor emigrante que fez a tradução..."???
Que vem lá a ser isto? Então é assim que tratamos a educação das crianças deste país? E o tal "senhor" foi pago por isso? É que se foi, onde está o concurso público?
Aquela porcaria passou pelas mãos de tanta gente com responsabilidades e ninguém teve a hombridade sequer de ver o que lá vinha dentro?
Não acredito!
Só peço agora que tenham a coragem de dizer a verdade à frente das câmaras e dos jornais: que o Magalhães só tem servido aos senhores da educação, ao senhor primeiro ministro e seus assessores para duas coisas:
FAZER DOWNOLADS ILEGAIS E VER GAJAS NUAS!!!
É por estas e outras que não escrevo sobre política. Agora vou vomitar, de seguida vou-me aos Valiums.
E já sei que não tenho apelo à merecida indemnização. Continuo a pagar impostos como toda a gente.
© CybeRider - 2009
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Prosa
sexta-feira, 6 de março de 2009
Uma coisa que devia ser imutável
Acabei de aprovar o meu acordo ortográfico.
Doravante vou passar a excluir do meu vocabulário os "se" e os "mas". Sem ses nem mas tudo o que disser será cristalino, puro e honesto.
Claro que terei que eliminar também os disfarces: as restantes conjunções subordinativas condicionais, em relação ao primeiro; e as restantes conjunções coordenativas adversativas, relativamente ao segundo. Todas as outras formas de ses me são inócuas.
Penso ter chegado assim ao âmago de tudo o que é trafulhice e incongruência no nosso percurso discursivo, que se traduz nas ténues subtilezas que transformam um lindo dia numa noite de pesadelos, um homem de palavra num vigarista, em suma uma boa intenção num pomo de discórdia.
Assim, se (e este, como se verá até ao fim da oração, não é dos proscritos mas apenas um atavio) o tal Murphy inventou uma lei que garante que o que pode correr mal irá de facto correr mal; de que serve dizermos que determinada acção que nos propomos executar estará dependente de uma condicionante que já sabemos que não vai acontecer?
Por exemplo, quando ouço alguém dizer: "- Vou-te pagar se..." já sei que posso puxar uma cadeirita e esperar sentadinho.
Outro exemplo: "- Ia pagar-te mas..." nem preciso de ouvir o resto para saber que se não estava sentado mais valia que estivesse.
Há ainda outras belezas destas formas conjuntivas. A mais gritante talvez seja quando as vemos aplicadas às promessas: "- Prometo que haverá mais emprego se..."; "- Construirei mais hospitais se..."; "- Disse que baixava os impostos mas..."; "- Os números eram definitivos mas..."
O uso e abuso destas expressões tem levado a que se venham perdendo imensos valores, descredibilizando o povo português (sim, porque é da língua portuguesa que estamos a falar), e permitindo que coisas simples e bonitas, em que acreditávamos antigamente, sejam hoje puras patranhas, como por exemplo a tão vangloriada "palavra de honra" que é hoje uma espécie quase extinta, talvez haja alguma ainda nalgum cerro do interior, temos dúvidas é que sem parceiro se consiga reproduzir.
O defeito não está nas pessoas, está na língua.
Os ses encerram ainda outra beleza pictórica que é o mérito de nos deixar presos a sonhos que nunca realizámos mas (este é o último, prometo) que teríamos realizado não fora a tal lei do senhor estrangeiro. Claro que nessas imersões nos esquecemos de tudo o que poderia ter corrido ainda pior e também daquela outra vez em que podíamos ter ficado debaixo de um eléctrico.
Bem sei que prometi não voltar a usar ses nem mas. Vendo bem...
Mudei de ideias...
© CybeRider - 2009
Doravante vou passar a excluir do meu vocabulário os "se" e os "mas". Sem ses nem mas tudo o que disser será cristalino, puro e honesto.
Claro que terei que eliminar também os disfarces: as restantes conjunções subordinativas condicionais, em relação ao primeiro; e as restantes conjunções coordenativas adversativas, relativamente ao segundo. Todas as outras formas de ses me são inócuas.
Penso ter chegado assim ao âmago de tudo o que é trafulhice e incongruência no nosso percurso discursivo, que se traduz nas ténues subtilezas que transformam um lindo dia numa noite de pesadelos, um homem de palavra num vigarista, em suma uma boa intenção num pomo de discórdia.
Assim, se (e este, como se verá até ao fim da oração, não é dos proscritos mas apenas um atavio) o tal Murphy inventou uma lei que garante que o que pode correr mal irá de facto correr mal; de que serve dizermos que determinada acção que nos propomos executar estará dependente de uma condicionante que já sabemos que não vai acontecer?
Por exemplo, quando ouço alguém dizer: "- Vou-te pagar se..." já sei que posso puxar uma cadeirita e esperar sentadinho.
Outro exemplo: "- Ia pagar-te mas..." nem preciso de ouvir o resto para saber que se não estava sentado mais valia que estivesse.
Há ainda outras belezas destas formas conjuntivas. A mais gritante talvez seja quando as vemos aplicadas às promessas: "- Prometo que haverá mais emprego se..."; "- Construirei mais hospitais se..."; "- Disse que baixava os impostos mas..."; "- Os números eram definitivos mas..."
O uso e abuso destas expressões tem levado a que se venham perdendo imensos valores, descredibilizando o povo português (sim, porque é da língua portuguesa que estamos a falar), e permitindo que coisas simples e bonitas, em que acreditávamos antigamente, sejam hoje puras patranhas, como por exemplo a tão vangloriada "palavra de honra" que é hoje uma espécie quase extinta, talvez haja alguma ainda nalgum cerro do interior, temos dúvidas é que sem parceiro se consiga reproduzir.
O defeito não está nas pessoas, está na língua.
Os ses encerram ainda outra beleza pictórica que é o mérito de nos deixar presos a sonhos que nunca realizámos mas (este é o último, prometo) que teríamos realizado não fora a tal lei do senhor estrangeiro. Claro que nessas imersões nos esquecemos de tudo o que poderia ter corrido ainda pior e também daquela outra vez em que podíamos ter ficado debaixo de um eléctrico.
Bem sei que prometi não voltar a usar ses nem mas. Vendo bem...
Mudei de ideias...
© CybeRider - 2009
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Prosa
quarta-feira, 4 de março de 2009
2ª Escolha
Nunca compro produtos de segunda escolha.
Se me esfolo para ter uma moeda para trocar por qualquer coisa, ao menos que seja de qualidade.
Não que saiba muito de qualidade... Na verdade sei lá qual é a qualidade até chegar a casa, abrir o que comprei, e concluir por fim que o meu produto de Primeira Qualidade é afinal uma trampa.
Mas a publicidade tem essa magia. Diz que é bom e a gente compra.
Compra... Desde que não seja de segunda escolha. Até as coisas em segunda mão nos são preferíveis aquelas.
Um produto em segunda mão nasceu imaculado. Teve um percurso de utilização, e estará possivelmente capaz de ser ainda bastante usado. Pode até estar gasto, ter adquirido algumas mazelas, mas nasceu perfeito e são.
Já o de segunda escolha... A definição denota logo à partida que nasceu inquinado. Tem um defeito qualquer que o diferencia dos outros. Mesmo para os progenitores que o fabricaram é um enjeitadito.
Este erro de génese leva ao estigma do seu destino. Ou se transforma em algo diverso ou nunca poderá ocupar o lugar da estante ao lado dos portentosos irmãos, nem atingir o mesmo preço.
Tem um erro. Mesmo que os produtos idênticos, entenda-se, possam continuar a ser uma trampa.
Ora, errar é o que nos torna humanos. Logo, cartesianamente, se não tivermos o factor erro, somos decerto outra coisa que não humanos. Ou somos inquinados para nos indiferenciarmos ou por outro lado seremos diferenciados se não tivermos o tal erro. Logo a perfeição é-nos vedada.
Tenho andado enganado. Descubro hoje, afinal, que somos produtos de segunda escolha.
Lastimo, em consequência, que exijamos constantemente dos nossos pares uma conduta sem erros.
Procuramos o impossível!
A partir de hoje, nunca mais critico ninguém. E dou aqui início à busca do alguidar de onde me separaram, onde estarão os de qualidade que quero conhecer.
ONDE É QUE ESTÃO "OS OUTROS"?
© CybeRider - 2009
Se me esfolo para ter uma moeda para trocar por qualquer coisa, ao menos que seja de qualidade.
Não que saiba muito de qualidade... Na verdade sei lá qual é a qualidade até chegar a casa, abrir o que comprei, e concluir por fim que o meu produto de Primeira Qualidade é afinal uma trampa.
Mas a publicidade tem essa magia. Diz que é bom e a gente compra.
Compra... Desde que não seja de segunda escolha. Até as coisas em segunda mão nos são preferíveis aquelas.
Um produto em segunda mão nasceu imaculado. Teve um percurso de utilização, e estará possivelmente capaz de ser ainda bastante usado. Pode até estar gasto, ter adquirido algumas mazelas, mas nasceu perfeito e são.
Já o de segunda escolha... A definição denota logo à partida que nasceu inquinado. Tem um defeito qualquer que o diferencia dos outros. Mesmo para os progenitores que o fabricaram é um enjeitadito.
Este erro de génese leva ao estigma do seu destino. Ou se transforma em algo diverso ou nunca poderá ocupar o lugar da estante ao lado dos portentosos irmãos, nem atingir o mesmo preço.
Tem um erro. Mesmo que os produtos idênticos, entenda-se, possam continuar a ser uma trampa.
Ora, errar é o que nos torna humanos. Logo, cartesianamente, se não tivermos o factor erro, somos decerto outra coisa que não humanos. Ou somos inquinados para nos indiferenciarmos ou por outro lado seremos diferenciados se não tivermos o tal erro. Logo a perfeição é-nos vedada.
Tenho andado enganado. Descubro hoje, afinal, que somos produtos de segunda escolha.
Lastimo, em consequência, que exijamos constantemente dos nossos pares uma conduta sem erros.
Procuramos o impossível!
A partir de hoje, nunca mais critico ninguém. E dou aqui início à busca do alguidar de onde me separaram, onde estarão os de qualidade que quero conhecer.
ONDE É QUE ESTÃO "OS OUTROS"?
© CybeRider - 2009
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Prosa
segunda-feira, 2 de março de 2009
Humor negro
JARDIM DE DEUS
Ter um jardim não fosse Deus
E hoje os pássaros seriam sem flores nem galhos;
Minhas mãos vazias de dedos, que tocassem folhas
De veludo, e sede de água, de sangue.
No meu jardim os ossos brotam entre as pedras.
A carne fresca é o estrume: a escória...
E areia (muita), que grita tão alto!
Que já não me sinto tão forte:
Tenho medo,
Medo... MEDO!
Medo das letras...
Que não se apaguem aquelas que, por ingenuidade,
Escrevemos na areia da praia.
Talvez um dia junto ao mar.
Talvez um dia junto ao peito.
Talvez um dia à distância de um beijo.
Ter um jardim não fosse Deus
E hoje os pássaros seriam sem flores nem galhos;
Minhas mãos vazias de dedos, que tocassem folhas
De veludo, e sede de água, de sangue.
No meu jardim os ossos brotam entre as pedras.
A carne fresca é o estrume: a escória...
E areia (muita), que grita tão alto!
Que já não me sinto tão forte:
Tenho medo,
Medo... MEDO!
Medo das letras...
Que não se apaguem aquelas que, por ingenuidade,
Escrevemos na areia da praia.
Talvez um dia junto ao mar.
Talvez um dia junto ao peito.
Talvez um dia à distância de um beijo.
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'
© CybeRider - 2009
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Poesia
domingo, 1 de março de 2009
Um segredo para o sucesso
De todos os fanatismos, que podemos ou não aceitar, para alcançar o sucesso de uma empresa há um que me parece merecedor do prémio Nobel.
Pela sua simplicidade e êxito garantidos, é a pedra basilar para a sólida criação de um império.
Compreendo que nem todos queiramos regular um império, por isso há que aplicar este princípio na medida certa do poder que pretendemos alcançar.
Uma ressalva: Não me vou debruçar sobre a aplicação desta fonte de êxito à função pública. Não porque não resulte, ou porque não encontre falhas naquele sector, mas porque nada parece entrar nas cabeças autónomas dos detentores dos poderes públicos, sendo por isso inútil aconselhar com o que sei ser despiciendo.
Em todo o sector administrativo da área empresarial nos deparamos, no decurso do processo, com a acumulação de expediente. Seja pela aplicação do articulado duma área particular do Código do Trabalho - Férias, Feriados e Faltas - seja por acréscimos pontuais da actividade da empresa.
Existe uma efectiva e comprovável afectação de recursos preciosos nesta tragédia que contamina cobranças; pagamentos; encomendas; e toda uma miríade de situações mais ou menos prementes que se traduzem, directa ou indirectamente, em quebras de lucro ou (porque não dizê-lo?) prejuízos descarados.
Independentemente de situações mais ou menos generalizadas de eventuais crises e decorrentes soluções, tão discutidas por economistas, financeiros, empresários e outros entendidos em panoramas macroeconómicos, é sobre cada uma das entidades empresariais que este flagelo se faz sentir e, como tal, deve ser atacado.
Assim, é um acto primordial de boa gestão que cada colaborador com responsabilidade no sector administrativo de cada empresa tenha ao seu dispor apenas uma caixa -ou eventualmente, em empresas em vias de desenvolvimento, duas - de clipes. Estes não serão renovados, devendo durar a vida da empresa ou até que a ferrugem os devore, sendo reaproveitados à medida que os papéis unidos por eles deixem de estar pendentes.
O rigor desta medida deverá ser cumprido à exaustão, defendo sem receio que a exclusão de um colaborador da empresa seja a única via em caso do seu incumprimento, a menos que se verifique algum impedimento devidamente comprovado por documento oficial, como atestado médico por doença, ou certidão de óbito de parente próximo.
As empresas nacionais (perdão... Portuguesas) não podem continuar nesta imagem terceiro-mundista do expediente em atraso. Olhem para os tribunais; para as conservatórias; é essa imagem que queremos no seio das nossas empresas? Avento que não!
Papéis em dia não estão unidos com clipes. Estão anexados com sólidos agrafos, ou devidamente arrumados em pastas decentes e organizadas.
Este conselho gratuito deve ser levado muito a sério. Recomendo a troca de noites de sono por meditação séria e honesta de quem responsável sobre esta medida, de simples execução, que libertará muitos de muitas dores de cabeça.
Noutro momento falarei da liberdade de acesso à caixa registadora, que se me afigura porém de menos importância.
© CybeRider - 2009
Pela sua simplicidade e êxito garantidos, é a pedra basilar para a sólida criação de um império.
Compreendo que nem todos queiramos regular um império, por isso há que aplicar este princípio na medida certa do poder que pretendemos alcançar.
Uma ressalva: Não me vou debruçar sobre a aplicação desta fonte de êxito à função pública. Não porque não resulte, ou porque não encontre falhas naquele sector, mas porque nada parece entrar nas cabeças autónomas dos detentores dos poderes públicos, sendo por isso inútil aconselhar com o que sei ser despiciendo.
Estou a falar, como decerto os mais sagazes já depreenderam, da gestão de clipes.
Em todo o sector administrativo da área empresarial nos deparamos, no decurso do processo, com a acumulação de expediente. Seja pela aplicação do articulado duma área particular do Código do Trabalho - Férias, Feriados e Faltas - seja por acréscimos pontuais da actividade da empresa.
Existe uma efectiva e comprovável afectação de recursos preciosos nesta tragédia que contamina cobranças; pagamentos; encomendas; e toda uma miríade de situações mais ou menos prementes que se traduzem, directa ou indirectamente, em quebras de lucro ou (porque não dizê-lo?) prejuízos descarados.
Independentemente de situações mais ou menos generalizadas de eventuais crises e decorrentes soluções, tão discutidas por economistas, financeiros, empresários e outros entendidos em panoramas macroeconómicos, é sobre cada uma das entidades empresariais que este flagelo se faz sentir e, como tal, deve ser atacado.
Assim, é um acto primordial de boa gestão que cada colaborador com responsabilidade no sector administrativo de cada empresa tenha ao seu dispor apenas uma caixa -ou eventualmente, em empresas em vias de desenvolvimento, duas - de clipes. Estes não serão renovados, devendo durar a vida da empresa ou até que a ferrugem os devore, sendo reaproveitados à medida que os papéis unidos por eles deixem de estar pendentes.
O rigor desta medida deverá ser cumprido à exaustão, defendo sem receio que a exclusão de um colaborador da empresa seja a única via em caso do seu incumprimento, a menos que se verifique algum impedimento devidamente comprovado por documento oficial, como atestado médico por doença, ou certidão de óbito de parente próximo.
As empresas nacionais (perdão... Portuguesas) não podem continuar nesta imagem terceiro-mundista do expediente em atraso. Olhem para os tribunais; para as conservatórias; é essa imagem que queremos no seio das nossas empresas? Avento que não!
Papéis em dia não estão unidos com clipes. Estão anexados com sólidos agrafos, ou devidamente arrumados em pastas decentes e organizadas.
Este conselho gratuito deve ser levado muito a sério. Recomendo a troca de noites de sono por meditação séria e honesta de quem responsável sobre esta medida, de simples execução, que libertará muitos de muitas dores de cabeça.
Noutro momento falarei da liberdade de acesso à caixa registadora, que se me afigura porém de menos importância.
© CybeRider - 2009
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