© CybeRider 2014
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
A maioria
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segunda-feira, 4 de abril de 2011
O elogio do erro
Sei o que me apetecia, talvez por isso: escrever tudo cheio de erros. Escrever num código só meu. Desculpa triste, escrevo sempre num código só meu. Tudo cheio de erros. Gosto dos meus erros, são sintoma de liberdade quando não tenho medo deles. Depois refinam-se e passam despercebidos. Como quem acha uma nota no chão e lhe põe um pé em cima. "Devolve-se a quem provar pertencer-lhe". Olha-se para um lado e para o outro, a medir a humidade, a ver aquela nuvem mais escura e a criar a ideia de que vem aí chuva, passageira.
Depois deixa-se cair a chave. Plim. Arrebanha-se tudo, a fazer valer o dobrar da espinha. O gesto refinado, a não admitir o erro. Do outro lado o Sol, as caras cinzentas, incapazes de ouvir um plim. "Afinal pertence-me a mim". Os olhos vagueiam para a noite, a desejar o sonho ímpio dos inocentes, todos errados. A inocência perde-se quando se eliminam os erros. Passa-se a ser um sequaz do justiceiro, cheio de certezas e dedos espetados. Perde-se a misericórdia. Perde-se a noção do belo.
O belo em si é um erro, perfeito, como é qualquer erro, capaz de nos fazer virar a cabeça e perder a noção da realidade, essa coisa que não se compadece com erros, que nos impele sempre para a imperfeição da posição irrefutável, mas sempre à mercê da imensidão do que não dominamos, a excepção fundamental que confirma a regra, esse erro abrupto que nos oprime qualquer certeza. O belo é imerecido porque é um erro supremo que ninguém merece, por ter sempre alguma certeza, até isso justifica a sua essência errada e errática.
O erro não é intencional, ao contrário do mal que nunca é um erro. O mal é uma escolha, mais ou menos reflectida, mas nunca um erro. No entanto, erradamente, condenamos o erro quando deveríamos condenar o mal. O verdadeiro erro pode ser fruto de incompetência, distracção, incontinência, desmesura. Quando toleramos a génese, admitimos que fundamente a causa, mas apesar disso continuamos a condenar aquilo que inicialmente admitímos, sem querermos ver que deveria ser a verdadeira causa a perseguida. Assim, andamos com medo de errar, tentando fazer tudo certo ainda que mal.
Tememos a revelação dos nossos erros, pela injustiça do seu julgamento. Só poderemos ser livres quando nos exprimirmos por erros sinceros, pleonasmo; num código individual, imperceptível até que se refine, nessa altura compreendemo-lo, e passa a ser linguagem comum, alimento de debate e de inovação. Uma linguagem bela, profundamente errada é certo, mas universal.
A constatação de que errar é humano, faz-me acreditar que tudo o que fazemos é belo, tanto mais quanto mais errado for, desde que o não façamos por mal. É divina a nossa acção no mundo. Compraz-me que este exercício possa ser o erro que me tolha, porém palpita-me que errei, e acertei assim na impureza do hediondo, imperfeito, maléfico, intencional, desumano.
As certezas são sempre terríveis, ímpias, como os sonhos dos inocentes.
© CybeRider - 2011
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Cem
Cerca de seis mil e novecentos milhões de dias em vinte e quatro horas. Tantos quantos os relatos diários que podiam constar do comandante desta nau redonda à deriva pelo vazio.
E eu para aqui ralado com cem. Cem textos, e um aniversário que me passou ao lado. E se isto não estiver preparado para três dígitos? E se se acaba o meu mundo como se vaticinou na passagem do milénio?
Tenho adiado.
Hoje reuni a coragem necessária para este salto profundo. Seja o que...
Esbarro de novo nisto... O inominável... Ele não existe! Farto-me de afirmar isto e esbarro sempre no mesmo. Devia dizer: "Seja o que Eu quiser", isso sim. Mas sei lá o que quero. A um por ano teria precisado de cem anos. E talvez fosse isso o justo. O que me arroga o direito a tecer considerações sumárias por mais de uma vez em cada ano que passe? Que peso pode ter isto, face aos seis mil e novecentos milhões que se debatem com tanto? E os deveres decorrentes?
Agora fico cem vezes em dívida por me ter apoderado de algo que não me pertence. Usurpei a inteligência colectiva e assumi por cem vezes que algo era de facto meu. Mais um punhado de mentiras. Cem!
E agora?...
A próxima meta terá de ser quatro dígitos. Outros tantos pecados... Arderei no Inferno!...
Não haverão efemérides que cheguem...
Cem chicotadas me dessem!
Mas se tiver de ser... Que seja uma por ano.
© CybeRider - 2010