quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Terra de todas as virgens

O sonho comanda a vida. No dia seguinte já não nos lembramos.

Saberá quem tomou a mão de um sonho, quando caminharam despidos sobre a areia da praia.

Quando havia praias para dois... Ou mais...

A procura do amor de uma vida leva a que se mereça o Inferno. Em boa justiça, quem encontra o Céu na Terra não deverá ambicionar para além disso. É de um pretensiosismo atroz que se tencione o prolongamento dessa felicidade para além de uma vida. 

Ao contrário de certas religiões que contrapõem a infelicidade terrena ao júbilo celeste, e que prometem virgens sem conta para além do bater do coração, a modalidade reinante na sociedade ocidental guia-nos à prossecução de um objectivo sentimental direccionado à monogamia, o que traz vantagens, convenhamos.

Pelo sim pelo não, podemos aproveitar milhões de virgens à nossa volta sem que tenhamos de estragar o Paraíso maculando alguma. Em boa missão cristã alguém deveria explicar, aos que ambicionam a sandice extrema de aguardar pelas suas virgens às mãos de uma divindade de existência duvidosa, que as mesmas serão sempre intocáveis; nunca podendo vir a enformar um possível harém que cruze o imaginário desses pobres crentes. É a subversão de princípios criada no imaginário de tais infelizes que lhes permitirá o idealismo utópico de se virem a rodear de virgens que pudessem usufruir, sem que compreendam que o usufruto de apenas uma estragaria o equilíbrio divino do que deveria ser imutável. Haveria muito menos deles a fazer-se explodir.

A falha sistémica do cristianismo reside, porém, no facto de se prometer o Céu a quem já o pôde viver na Terra. Haja quem reflicta sobre este desequilíbrio para renegar esse fundamentalismo.

Por outro lado a monogamia enforma uma realidade estranha. Ao satisfazer a necessidade fundamental, cercam-se os nubentes de todas as potenciais virgens do mundo, em vida. Pudesse isso ser o Céu, acaba em boa verdade por se tornar num Inferno em que o desejo se reprime em benefício de princípios que, não deixando de ser religiosos, ainda que não assumidos desta forma, se cumprem à risca; reforçados com a justificação de premissas éticas e morais, que tantas vezes acabam por não se conseguir explicar. 

Nesta mesma sociedade, que rejubila de sexualidade exuberante, temos de sujeitar a libido natural ao constrangimento do ditame "que se veja mas não se toque", a menos que não existam compromissos assumidos, o que não é natural que aconteça com a maioria dos que já se libertaram dos condicionalismos, ou frivolidades, da juventude.  

A alguns bastará a aliança contratual com um só amante. Pequeno retalho de Céu, simples sonho para quem pensar ter encontrado a sua alma gémea, que por respeito e lealdade não se deverá atraiçoar. E os que têm essa alma repartida por tantos seres tão belos que os rodeiam?...

Reclamo o meu direito à indignação. Trata-se a poligamia como assunto tabu, ainda. Intelectuais pseudo-vanguardistas, plenos de justificações perenes para viabilizar todas as libertinagens individuais de teor positivo como necessárias à realização do conceito "ser-humano", não se debruçam sobre este assunto, tolhidos ainda por uma mentalidade esconsa.

Então e eu? Se for poligâmico, serei um anormal? Por que razão não poderei beneficiar do mesmo estatuto que qualquer outra preferência sexual confira à generalidade da população?

Mais facilmente aceitaria a abolição da instituição casamento, eventualmente retrógrada, do que me conformo com a marginalidade a que me votam. 

E vejo-as que me olham com desejo... Pretenderão eventualmente tomar-me para sempre, mas não posso... É esta sociedade tacanha e mesquinha que não mo permite. Que argumento existe que conceda aos "hetero" e aos "homo" monogâmicos aquilo que ambiciono? Eles podem! E eu, não?...

Gostaria de assumir esses compromissos legalmente, para sempre, e andar de mão dada com todas elas na praia, como no meu sonho, mas esta minha escolha, embora me seja fundamental, ainda parece ser, por motivos que ignoro e não concebo, demasiado arrojada.

Por quanto tempo mais me obrigarão a permanecer no armário?...

Para quando uma lei em que eu possa ter uma vida como a das outras pessoas?

Até lá não vejo como poderei consolar todas as virgens cujos olhares concupiscentes me devoram, e que amo do mais profundo do meu ser. Só peço um pouco mais de justiça para ser feliz.

Assim, vejo-me a pairar no Paraíso dos infiéis. Que Inferno!...


© CybeRider - 2010

24 comentários:

MorTo Vivo disse...

Cyber,

Duas "piquenas" coisas. Aproveita enquanto podes (mesmo apesar de não estares contemplado pela lei), é que começa-me a parecer que ainda vais é ser multado por não teres enquadramento legal, eheh.
Quanto aos malucos das virgens, e como já dizia um grande amigo meu "essas não percebem nada daquilo", deixo-te duas grandiosas observações escutadas numa rua dessas terras;

- Uma mãe orgulhosa do seu filho, ao passar pela vizinha junto a faixa de gaza diz-lhe: "Vê aquele ali, é o meu Rebento"
- Após a morte de seu amado Doroteia escreve-lhe umas linhas post mortem em seu apartamento, "Ainda tem você na sala, ainda tem você no quarto, ainda tem você no tecto mas por Ala porque é que te rebentaste dentro de casa porra."

CumprimenTos das CaTacumbas.

MorTo Vivo

PS - Ainda bem que o nvo ano te conservou o espirito, era esse o meu desejo, lol.

Anónimo disse...

Your blog keeps getting better and better! Your older articles are not as good as newer ones you have a lot more creativity and originality now keep it up!

CybeRider disse...

Olá MV!
Tens razão quanto ao enquadramento! Ainda não tinha pensado nisso. Qualquer dia ainda nos enquadram nalgum sentido obrigatório do qual não haverá volta a dar. Então mas sem enquadramento legal não se gozam os prazeres da vida não é? Parece que é isso que está a maçar muita gente, mais do que as atitudes, o papel passado, ainda que signifique um atestado de retrocompatibilidade com uma ordem social questionável.

Belíssimas peças de humor negro!!! Continuas a reunir um espólio impressionante.

Já vi que fizeste melhoramento nas CaTacumbas, já está mais fácil de navegar.

Que este Ano te mantenha o espírito também, se não fizermos uma força para levantar o ânimo é sabido que "não chegamos lá"! :)

Abraço, pá!

CybeRider disse...

Hi Anonymous!

Thank you for your kind words! We never know were life pushes us to. I'll try to hold the wave as far as I can, yet can't promise anything. Of course the words from visitors will help to keep me focused on improving.

Regards!

MorTo Vivo disse...

Quando me enquadrarem em alguma coisa, eu, ou fujo ou vou preso.
Eu sou um desasjustado/desenquadrado/desterrado/e mais meia duzia de coisas que acabem em ado, mas gosto de gajas.
Olha os sentidos unicos, na pior das hipoteses, levam-nos para a frente e isso dos papeis soa-me cá de uma estranheza... Vejamos, caso todos os casamentos/relações hetero que eu conheço que foram pró galheiro, acabaram muitas delas bem mais depressa com o dito papel do que sem ele, por isso seria de bom tom explicar que o unico papel que interessa na vida (aquelas notas) é apenas produzido pelo Estado, e não o podemos copiar em casa. É daquelas coisas como roubar, o Estado detesta concorrencia.

Quanto aos prazeres, quanto menos enquadramento legal houver melhor.

Abraço

CybeRider disse...

Estou contigo MV. Por isso é que "certas coisas" me causam estranheza.

Exemplos:

-Casal homossexual não pode adoptar.

a) Mas se eu for solteiro e bom rapaz, com guito, posso ir à India comprar o puto e junto-me depois (ou não) com outro gajo. Alguém me tira o puto? Alguém acha que não poderei criá-lo?... Desde quando é que os homens ou mulheres deixaram de poder coabitar (uns com outros, ou umas com outras)independentemente da sua orientação sexual? É agora que irão passar a andar com um rótulo na testa a dizer qual a sua orientação sexual para que se proiba ou consinta a adopção por uns ou outros acaso se unam com apetites sexuais diferentes dos da maioria? E que acontece quando um casal normal se separa e opta por um relacionamento sexual diferente? Alguém já tirou os filhos de alguém por esse motivo?

b) Nada impede uma mulher de engravidar independentemente da sua orientação sexual, esteja ou não num relacionamento homossexual
(duradouro ou não), alguém acha que a sociedade deveria institucionalizar o puto por qualquer um desses motivos (ser solteira ou celibatária ou viver com outra)?...

____________

Isto são só exemplos de como a realidade pode dar a volta ao que os homens colocam em divisões herméticas. De modo que estamos afinal a falar de quê?

Da possibilidade de ter o nome do conjuge? Da herança dos bens em caso de morte de um deles?

Para que raio serve o casamento civil se tudo isso pode ser feito sem necessidade de estar a colar na testa o rótulo de uma instituição que surgiu numa época em que eventualmente um papel tinha outros significados que entretanto desapareceram?... Não será uma mera questão de teimosia? Um mero desafio aos mais conservadores só "porque sim"? Alguém se lembrou de tentar descobrir a génese dessa figura jurídica?

Acabe-se com o casamento, isso sim traria igualdade à sociedade, aí sim estaríamos na vanguarda das sociedades evoluidas.

Abraço

Milu disse...

Olá CybeRider!

Li o teu texto e os comentários e tal como como seria de esperar surgiram-me imensas ideias, ao ponto de se atropelarem umas às outras.
Há situações que me causam alguma estranheza como por exemplo, quando ouço alguém dizer que não acredita em padres e na igreja mas faz questão de baptizar os filhos, que estes frequentem a catequese, façam a primeira comunhão e por, aí adiante. Quando lhes faço ver a contradição em que caíram, argumentam que os filhos poderão mais tarde optarem livremente se continuarão a ser praticantes ou não. No fundo, sentem-se a cumprir um dever, estas pessoas mais não fazem do que proceder tal como está institucionalizado, mostram-se assim, incapazes de pensarem por si e, sobretudo, têm medo de ser diferentes. Não fosse eu uma mulher convicta e sentir-me-ia uma desnaturada, afinal, nem o filho é baptizado, nem nada, no que respeita a religião, e ainda para mais se se tiver em conta que vivo num meio, onde a maioria das pessoas vive a vida a seguir ditames. Porventura, até se julgam mais do que eu, lá porque o filho vestiu um fatinho novo e tomou a hóstia, e eu rio-me com isso. Um dos meus lemas de vida é viver e deixar viver, procuro que a minha conduta não acarte problemas para os outros, em tudo o resto sou livre de fazer o que me apetecer, o que não quer dizer que me apeteça tudo, preciso apenas de saber que para tal sou livre. E que ninguém se meta de permeio a querer-me prejudicar por seguir as minhas convicções, porque se isso acontecer, pego-lhe no rabo de palha, que todos temos, uns mais e outros menos, e faço-o/a rodopiar, que é para deixar de ser intrometido/a.
Quanto ao casamento foi coisa que nunca me seduziu. Em tempos, quando era ainda miúda, observava os casamentos à saída da igreja e via todo aquele festival, flores, risos, felicitações e muitas fotografias, para a posteridade. Dentro de mim pensava, que jamais seria capaz de fazer aquelas figuras, afinal, e se o casamento desse para o torto, para que me serviriam aquelas fotos, para me amargurar ainda mais? E devia devolver o dinheiro que me haviam dado os convidados se o casamento se desfizesse? Para já esta era uma medida que deveria ser implantada. Não há direito de incomodar as pessoas convidando-as para o casório, obrigando-as a abrir os cordões à bolsa, desferindo assim um rude golpe nas finanças de cada um, para mais tarde virmos a saber que foi um para cada lado. Porque as coisas são assim mesmo. Tudo tem um começo e um fim. Mesmo aqueles casamentos que duram uma vida atravessaram momentos desgraçados, por vezes ao conversar com casais que estão juntos há uma eternidade, é possível notar aqui e ali, alguma amargura provocada por alguma recordação que permanece em carne viva. No fundo, optaram por deixar rebolar o tempo, já que foram incapazes de tomarem uma decisão drástica.
Estou convencida que no futuro as relações humanas irão sofrer uma grande transformação. Cada vez mais se assume que as pessoas não foram feitas para viverem juntas toda a vida, tudo cansa, não é verdade? Nunca viste aqueles casais que almoçam ou jantam num restaurante e mal olham um para o outro, sendo que nem uma palavra trocam? Eu já vi e causa-me uma grande impressão, porque ali não existe mais chama de nada! Penso também que com a legalização do casamento entre homossexuais, esta relação tenderá a tornar-se comum e tão habitual que no futuro nem uma criança adoptada por um casal composto por dois homens, se sentirá constrangida na escola perante os colegas, porque não faltarão mais casos idênticos. É como já disse, estamos no limiar de uma grande transformação nas relações entre as pessoas. Julgo até que para melhor, porque estão mais centradas na procura da felicidade e não num cumprimento de um dever ou premissa que já estava determinada, como acontece agora. Há quem se case porque já está na idade disso, o que chega a ser ridículo.

Ó CybeRider, para que é que queres as virgens? Não há nada como a experiência!

Um beijinho.

mfc disse...

Gostei deste post irónico....e verdadeiro!

CybeRider disse...

Olá Milu!

Alguns possuímos capacidade de tudo compreender, inata ou não, conseguimos adaptar-nos e aceitar o que não nos cause dano directo, físico ou ideológico. Preferimos contudo optar; sabendo muitas vezes que a nossa opção é unilateral, minoritária, selectiva, discriminatória. Não deixamos de sustentar uma faceta altruísta, com menos peso, para o que nos faça crescer o ego. Faz parte da nossa liberdade e também da nossa imperfeição; mas quem quer ser deus?...

Penso que muitas das opiniões publicitadas por serem "politicamente correctas" nada têm de sincero. Existe numa camada larga da população um saudosismo por tradições, costumes e memórias de berço que são incontornáveis.

Fiz coisas na minha vida que sendo pouco importantes para afirmar as minhas convicções mais secretas foram importantes para outrem, à revelia daquelas, apenas porque as compreendi, aceitei, não me ofenderam, mas principalmente porque alguém ficou mais feliz do que alguma infelicidade que isso me pudesse ter trazido. No fundo cumpri tradições que não questionei, felicitei-me com o júbilo dos outros sem me penalizar pela minha convicção que contornei; mas afinal as convicções também não são certezas. Julgo que muitas vezes não podemos questionar o que é de importância fundamental para os outros. Isso não altera o que amamos no nosso âmago, aquilo que defendemos se nos sentirmos sob ameaça; no fundo são descriminações com que crescemos fruto de experiências, ou sonhos que nos induziram, e que tantas vezes não sabemos contrariar porque nos falta a capacidade para sentir a paixão que move o lado onde não estamos, que avaliamos incorrectamente como defeitos. Ainda que reconheçamos que podíamos ser mais imparciais, mais perfeitos e agonizemos pela nossa fealdade, mas não há como não viver com isso. Talvez seja este o motor da indiferença, do silêncio, da abstenção.

Sabia, quando escrevi, que este assunto seria mais fracturante do que me é habitual, não pelo que está escrito mas pelo que lhe subjaz e que não está lá de forma directa, mas que todos subentenderam.

Agradeço-te por isso ainda com mais intensidade, porque te reconheço a coragem que tiveste em participar com o teu comentário neste tema.

Precisarei sempre de ajuda, sei que sou bastante imperfeito, tantas vezes sem saber a dimensão dessa imperfeição.

Beijinho

CybeRider disse...

Olá mfc,

Nunca vi acabar com a discriminação incluindo os discriminados no grupo discriminante. Fica-me o mesmo sabor estranho que ficaria se para acabar com o racismo se tivesse optado por que os negros passassem a integrar o Ku Klux Clan.

Se é a instituição que está mal, pior fica quando se expande.

O casamento civil é uma forma de pacto social como qualquer outra, que visa a manutenção e preservação de bens dessa sociedade dentro de uma esfera jurídica restrita, em que os seus elementos contribuem para o desenvolvimento dessa união através da entreajuda. Ultrapassa os laços de consanguinidade, para estabelecer o conceito de família nessa célula que se cria juridicamente pela interacção dos seus elementos na defesa dos seus próprios interesses. Já assim era no casamento religioso, faltava-lhe porém a coercividade que faz cumprir o casamento civil e que o torna dissolúvel em caso de incumprimento. Se na religião se podem fundamentar uma série de princípios éticos e morais que sejam discriminatórios e impeditivos, já na sociedade civil encontro menos fundamentos, principalmente quando esta mesma sociedade se apresenta decadente e pouco misericordiosa. Formem-se as sociedades com o número de sócios que se entenda. Compreenda-se que uma criança não precisa de pai e mãe, precisa de alguém que lhe dê amor, educação e tudo o que de fundamental exista para que possa viver em saúde e paz, seja um homem uma mulher ou um grupo mais ou menos heterogéneo que tenha sentimentos de respeito e elevação pelo ser humano ao seu cuidado, sem que seja apenas obrigado a isso como a entidade institucionalizante. O mais será outra falsidade, a somar à aproximação que ainda se faz do casamento civil com a figura similar do religioso que nada tem a haver. Ah! E paguem impostos, que eu quero chegar à reforma!

Caçador disse...

Olha, quanto às virgens, lembro-me de uma máxima que dantes escrita aparecia nas paredes: "a virgindade provoca o cancro, vacina-te".

Quanto à tua clandestinidade, pá,admiro-te a coragem, se aturar uma já é por vezes o inferno na terra, imagina isso à dúzia...
talvez seja melhor mesmo um gajo explodir-se...

Ciao, e vai-te a elas...

CybeRider disse...

Olá Caçador,

Este sítio é dedicado ao apanágio dos fracos, porque deles "não reza a História".

Daí que as fraquezas da carne tivessem de constar entre as causas que aqui exponho.

Mais do que interesses meus, são-me importantes os dos meus constituintes, aqueles que movem afinal esta máquina decrépita.

Ainda que tome como minhas as suas fraquezas, salvaguardo-me dos pecados do deus de alguns por ter encontrado talvez solução mais do meu agrado, mas que poucos compreenderiam se aprofundada a preceito.

Abraço!

Mário Rodrigues disse...

Um paraíso onde tenho cem virgens sem buracos e canecas de cerveja sem fundo, não me alicia grande coisa! Temo que o negócio imobiliário por esses lados tenha os dias contados... Para que quer um gajo tanta mulher? Cem! Meus Deus... Enfim, sempre fui solidário com os amigos! Vou dar início a um abaixo-assinado, a pedir a discussão e aprovação da poligamia. Tenho a certeza que ira passar com mais facilidade que a dos "homo"...

A braços ;-))

uminuto disse...

do meu ponto de vista as últimas décadas foram apanágio de um conjunto de mudanças em termos técnicos que temos sérias dificuldades em acompanhar. Infelizmente, a par disso, as mudanças em termos de mentalidades não conseguiram acompanhar esse ritmo alucinante. O mesmo é dizer que apesas de estarmos a viver o século XXI em termos de mentalidades parecemos ter regredido em alguns aspectos. Por isso, creio sinceramente que mais dia menos dias essas mudanças terão que acontecer. Os casamentos homossexuais são apenas um dos passos que era necessário adoptar outros virão para que se quebre de uma vez "o muro" desye falso puritanismo que ainda reina na nossa sociedade. Se alguém qer partilhar a sua vida com mais do que uma pessoa, desde que isso seja feito de comum acordo, porque não?
Falso é acreditar que o ser humano nasceu para ser monogámico...o desejo existe, a vontade de provar "outros frutos" é real, por isso porque raios havemos de continuar a lutar contra a natureza?
Agora virgens?!? Hummm será mesmo isso que queres? ;)
um beijo

CybeRider disse...

Olá Mário!

Teremos de convencê-los a abdicar de muitos princípios fundamentais da religião deles, conforme vamos abdicando dos nossos. A questão fundamental para nós, no que seja inovador, nunca é o porquê do sim, é principalmente o porquê do não.

E parece-me que não nos falta a justiça, falta-nos antes a retórica. Talvez por falta dela apareceu um dia um livro que até vendeu bastante, chama-se Bíblia, traduz a ignorância de muitos e sujeita-nos ainda, de formas que nem alcançamos, desde há muitos séculos.

A braços, Mário! ;)

Nirvana disse...

Olá, Cybe
Já li este teu texto umas vezes! De cada vez me ocorrem ideias diferentes. Vou ler mais uma vez ;).
I'll be back!! ;))
Beijinhos

CybeRider disse...

Olá uminuto!

Têm-no sido de facto, mas não será essa regressão um saudosismo pouco esclarecido de um estado que tudo vigiava e consequentemente, retirando o prazer da audácia, transmitia uma falsa sensação de estabilidade? Por outro lado, até que ponto estaremos tão preocupados em não cair em discriminações que acabamos por nos alhear e confundir o que a própria natureza proíba? Bem... Já estamos incautamente, ao que parece, a dar cabo do planeta. Seremos suficientemente conscientes para fazer a destrinça do que é naturalmente humano e do que são profundos vícios e desvios causados pelo nosso grau de civilização? Até que ponto serão as alterações milenares a que procedemos na sociedade reversíveis? E deveriam sê-lo?...

Por mais que me esforce, não consigo encarar o casamento senão como uma tradição burguesa. Talvez que antes da semana americana e menos ainda da inglesa, nem tempo houvesse para gozar quaisquer benefícios que a união trouxesse. Trabalhava-se de sol a sol sem férias nem fins de semana, quantos plebeus se casariam? O civil, forma de retenção dos bens da família num círculo restrito, não posso deixar de o encarar como uma manifestação de direita, pela forma como protege com intenção a propriedade privada. Por isso entendo ainda menos que a esquerda tanto exalte a sua defesa. E no entanto eis que todos acabamos por defendê-lo, mais ainda, consideramos que deve alastrar. Certezas?... A liberdade que defendo atrai-me para uma sociedade sem peias, talvez aí se pudesse apurar a verdadeira natureza humana, mas a História está cheia de exemplos. Não será a poligamia apenas um capricho que não sabemos recusar, outra manifestação dos vícios a que a nossa decadência nos conduz?


A questão das virgens impõe-se porque a sociedade, legalmente, só me permitiria ficar com uma, ou chamar-me-iam nomes feios. Não é que eu queira ficar rodeado de virgens, mas poderia justamente querer acabar-lhes com a definição. Não se trata de facto do que se queira, trata-se do que se possa. :)

Um beijo!

CybeRider disse...

Olá Nirvana,

É curioso que isso está a acontecer-me com os comentários! :)))

Acho que é mesmo problema do assunto, quanto mais se pensa mais ideias surgem... Será por se estar a tratar do sexo dos anjos?...

Até já! ;)))

Beijinhos!

Nirvana disse...

Olá Cybe :)

Vou tentar não me perder na praia :) e não divagar muito. O sr inglês ali de cima está coberto de razão. Por aqui só se melhora. Sim, continua a ser muito bom ler os teus textos. Por isso é que não quero que vás para a praia com essas virgens todas porque senão não vais ter tempo para continuar a escrever ;).

Religião... com esta idade, confesso que ainda não sei por onde ando. A minha religião passa por tentar ser feliz e tentar levar um bocadinho de felicidade aos que me rodeiam. Na Terra. O que me vai acontecer depois não sei. Não que nunca tenha pensado nisso, claro. Não posso evitar essa viagem, por isso, quando chegar a hora, o meu bilhete estará à espera. Céu, Inferno ou o que for, logo se verá. Tive uma educação católica, cristã, com direito a baptismo, 1ª e 2ª comunhão,crisma, casamento. Mas de momento não sou muito benvinda na religião católica uma vez que quebrei um desses sacramentos ao divorciar-me. Mas, na minha opinião, e mesmo tendo em conta o que li na Bíblia (li-a mesmo), Deus não nos terá mandado ser infelizes. Não matar, não roubar, não mentir. E, na minha opinião, não mentir implica muito mais do que não dizer mentiras. Implica ser verdadeiro sempre, connosco também, o que nos impedirá de ser infelizes, não é?

Na poligamia já não concordo. Já viste ter de passar camisas e dobrar meias de 4 ou 5? Ufa!! Nem pensar. A poligamia sempre é falada no masculino. Um homem ter várias mulheres. Mas também poderia ser ao contrário. Uma mulher e vários homens. Seria engraçado, não achas? Se bem que aí seriam eles a dobrar as minhas camisas e meias. Este sim, seria assunto tabu. Até porque um homem com várias mulheres é um quase-herói aos olhos dos outros, enquanto a mulher com vários homens será... definitivamente não aceite nessa praia.
Para mim, um chega. Não chega qualquer um, mas chega um, o tal um. Continuo a acreditar nesse amor com esse um.

Os que se mandam pelos ares à espera das virgens que por eles esperam, acho que não devem pôr os neurónios a funcionar. Será que eles não vêem que com tantos que o fizeram antes deles as virgens já estarão esgotadas? Acho que ainda não se multiplicam por geração espontânea.

Além disso, Cybe, duvido que um local com tanta mulher junta, virgem ou não, seja algo parecido com o Céu. Na minha opinião, será mais parecido com o Inferno!

E não ia eu divagar...

Beijinhos, Cybe

Gemini disse...

Isto a propósito do "querer que se possa", certo?

É excelente, o teu ponto de vista, e justo o que reclamas.

E contudo não o estás a impor aos outros, mas a abrir-lhes essa porta, onde jamais te importará quem entre!

Sabes o que te digo, Cybe?

"Grita com força, companheiro, grita sempre."

(Peça magnífica, mais uma...)

Grande abraço!

CybeRider disse...

Olá Nirvana!

Se te perdesses, andaríamos todos perdidos, tens GPS incorporado! :)

Quanto ao sr. inglês, não sei, talvez a opinião se deva a alterações manhosas do Google translate.

Felizmente essa barreira a que assistimos nunca saberemos que/quando nos calha, tendemos naturalmente à sobrevivência até que alguém já não consiga afirmar que o conseguimos. Pelo menos tento acreditar nisso com toda a minha essência.

Não posso seguramente afirmar a justiça de cada uma das publicações, a dos muçulmanos parece-me bastante injusta, mas a nossa não me parece ficar-lhe muito atrás.

E, não. A falta de tempo não tem sido pelo consumo a que as virgens me têm devotado. Antes fosse!

Beijinhos, Nirvana

CybeRider disse...

Olá Gemini!

Tendemos a acreditar que somos todos esclarecidos e senhores das nossas vontades. Talvez por isso a noção de sociedade como a conhecíamos esteja a cair em desgraça. E talvez até com razão, porque numa sociedade evoluída as pessoas serão cultas, esclarecidas, saberão justificar as suas acções e defender os seus princípios, dotes que aparentemente estão em extinção.

Acredito que caminhamos em direcção a esse ideal, e sinto-me com menos tempo que o desejável para questionar as minhas fraquezas ou defender antagonismos injustificados. Não se pode sujeitar alguém por meros preconceitos, que somos também livres de ter mas menos de colocar em prática. Com que direito o faríamos ainda que idealizemos uma sociedade à nossa imagem e semelhança?

Espero que os passos a que assistimos sejam mais que um mero jogo de forças institucional, mas pelo que ouço e pela forma como o estão a fazer até poderão não ser.

Grande abraço!

Brandie disse...

Ahahahahahahahahah, confesso que muito me diverti a ler este post.

Concordo e estou contigo. Isso de ter um amor para a vida não resulta. Agora, estou com a Nirvana na questão de não ser uma possibilidade exclusiva do sexo masculino. Teríamos de gerir muito bem as semanas e alternar, mas talvez não achem muita piada a esta versão pois não?

Ou seja, mais problemas para resolver:)

CybeRider disse...

Olá Brandie!

Haverá muito marmanjo desejoso de ser adoptado por algum casal de sáficas. Há diferenças que a natureza determina para além do sentido de justiça dos humanos. Não falei de exclusividade do masculino, mas a minha perspectiva está à partida inquinada pelos condicionalismos naturais que me foram impostos. Aceito a abordagem pelo feminino, bem entendido.

:)