domingo, 5 de julho de 2009

Moto-contínuo

Observo o langor da queda daquele bago de areia.

Muito lentamente cai, seguido de outro e outro ainda. Perco-me algures na contagem. Penso na vida, nesta paragem de autocarro, sem saber o destino.

Olho em redor, cada um na sua paragem. Ínfima...

Cada um, dos que aguardam, poderia tentar contar cada grão de areia que cai. Cada um opta por acompanhar as notícias. Cada um opta, também, por cultivar um pequeníssimo inferno à sua volta. Ninguém quer saber do grão de areia que existe apenas para cair. Ninguém se importa acerca do sentido da sua própria existência, ou da subjectividade que anteviu a sua própria criação, nada se questiona, nada parece incerto; sujeitos a uma queda igualmente imprevisível.

A velocidade do pequeno grão de areia, que parece elevada, demora exactamente o necessário para chegar de um ponto a outro; nem mais, nem menos. Perfeito no seu desígnio, sem falhas, sem acidentes. Um olhar atento revela porém que é muito lento. Naquele percurso singelo, os potenciais observadores cansam-se de aguardar o autocarro que não chega, que no entanto não querem que chegue, por não lhe conhecerem o destino; outros surgem como que de parte nenhuma, outros há que embarcam para parte incerta. Num mundo coberto de paragens de autocarro, o percurso do grão de areia, que ninguém vê, que ninguém chama pelo nome, é uma eternidade. Hoje estou a vê-lo cair... Devagarinho...

Observo o frágil balão de vidro, como um ventre inchado de uma Vénus paleolítica, que num parir constante vai fecundando o outro, em baixo, até que se esgote toda a areia que, no entanto, não tem fim.

Compreendo a importância de cada grão que nasce indiferenciado de tal mãe e que parte para o desconhecido, num movimento perpétuo. Adivinho o temor em cada um, ao passar por aquele estreito ponto da segurança da matilha imensa para o seu salto singular. Sinto-lhe o palpitar acelerado até se voltar a reunir com os irmãos ao fundo do abismo.

Sinto-lhe a amnésia também, que o fará cumprir o destino, enquanto a minha mão for dando voltas à bela estrutura, cheia de saber.

E, em vez de me sentir um deus, sinto-me afinal um grão de areia que teima em desconhecer, ou em não aceitar, que lhe dão voltas à vida. Mas não daqueles, antes dos que, um a um, cheios de protagonismo, emperram a perfeita engrenagem do mais perfeito relógio de corda.

A meus pés, o carreiro de formigas...



© CybeRider - 2009

26 comentários:

pepita chocolate disse...

Costuma-se dizer que nós é que fazemos o tempo, ou fazemos o que queremos com o tempo.
Tu podes querer geri-lo com uma ampulheta, que deixa soltar grão a grão, num compasso certo, numa suposta lentidão que lhe queres impor. Mas o tempo, é endiabrado que não depende somente de ti; depende dos que te somam nos dias, que te contam os segundos em cada um dos teus atrasos.

Beijinho!

CybeRider disse...

Olá Pepita,

O turbilhão de pequenos grãos que se deslocam entre os hemisférios da ampulheta, e que se soltam num feixe que nos parece demasiado rápido para qualquer contagem, são como a multidão que movimenta o mundo. O mundo a que o tal tempo tira a capacidade de avaliar o impacto provocado por cada um.

Na nossa macrodimensão não percebemos que por vezes são as microessências as perfeitas e infalíveis.

No entanto curiosamente, o nosso mundo não pára, como que movido por uma energia eterna e inesgotável. Apesar dos grãos de areia que poderiam parar todo o mecanismo (a nossa falibilidade).

Serão os que contam os meus atrasos, ou haverá uma outra mão a dar voltas a esta ampulheta?...

Beijinho!

pepita chocolate disse...

Sim, são alguns dos grãos pequeninos desse nosso tempo que fazem toda a diferença. Que apesar de pequenos, ínfimos, fazem todo o nosso mundo virar um reboliço! Ou a coisa mais fantástica!E muitas vezes na nossa visão tão alargada do mundo e de vistas curtas do tempo, os pequenos pormenores não se conseguem ver, senão com lupas ou muitas vezes binóculos. Porque os pequenos pormenores, os pequenos grãos que cairam sem darmos por eles, os que fizeram toda a diferença já não se avistam a olho nu...os olhos vivem cansados em cima dos grãos que ainda não caíram, temendo por eles...

Beijinho!

( e tive de cá voltar outra vez; talvez porque a minha ampulheta hoje o tenha permitido; tenho-a virado muitas vezes esta semana, e a lista de tarefas vão-se mantendo passivas face à ampulheta do meu tempo (curto, muito curto!))

CybeRider disse...

Exacto!

"A vida é feita de pequenos nadas".

E se pararmos, esses "nadas" levam-nos. O mundo é imparável!

Beijinho!

Mário Rodrigues disse...

"Estava eu sentado, perto do mar, a ouvir com pouca atenção um amigo meu que falava arrebatadamente de um assunto qualquer, que me era apenas fastidioso. Sem ter consciência disso, pus-me a olhar para uma pequena quantidade de areia que entretanto apanhara com a mão; de súbito vi a beleza requintada de cada um daqueles pequenos grãos; apercebia-me de que cada pequena partícula, em vez de ser desinteressante, era feito de acordo com um padrão geométrico perfeito, com ângulos bem definidos, cada um deles dardejando uma luz intensa; cada um daqueles pequenos cristais tinha o brilho de um arco-íris... Os raios atravessavam-se uns aos outros, constituindo pequenos padrões, duma beleza tal que me deixava sem respiração... Foi então que, subitamente, a minha consciência como que se iluminou por dentro e percebi, duma forma viva, que todo o universo é feito de partículas de material, partículas que por mais desinteressantes ou desprovidas de vida que possam parecer, nunca deixam de estar carregadas daquela beleza intensa e vital. Durante um segundo ou dois, o mundo pareceu-me uma chama de glória. E uma vez extinta essa chama, ficou-me qualquer coisa que nunca mais esqueci que me faz pensar constantemente na beleza que encerra cada um dos mais ínfimos fragmentos de matéria à nossa volta."
Autor: Aldous Huxley

Um abraço Cybe

CybeRider disse...

É como nos diz um amigo Mário: "Tá tudo escrito. Ou quase...".

No "quase" há as pequenas nuances. A interiorização do que alguém escreveu, a sua interpretação em novas formas. A aplicação sentida de teses através da nossa subjectividade.

Aparecemos tarde neste turbilhão. Felizes dos que conseguem inovar à dimensão imperceptível, de um grão de areia, contudo sempre fundamental. Não conhecia o texto belíssimo que transcreves. Mais uma vez saio enriquecido. :)

Também nós somos pequenas partículas, e temos o condão de nos podermos observar. Haja tempo!

Abraço!

Gemini disse...

Essa será a verdadeira capacidade de dominar o tempo; Observá-lo! E questiono-me se, a queda de cada grão de areia, nessa atemporal ampulheta, não será já feita de forma invertida! Não terá já tudo sido vivido?...

Um abraço!

CybeRider disse...

Sigamos as formigas Gemini. Elas não questionam quantas vezes fazem o percurso, fazem-no e isso justifica-as. É contranatura questionarmos a vida que se repete.

"Eppur si Muove" - Galileu Galilei

Abraço!

Nirvana disse...

Mesmo a propósito, este teu post. Tempo... Tempo que às vezes não chega. Tempo que faz tanta falta. Tempo a que, por mais que queiramos, não podemos fugir. Falta de tempo, o meu drama ultimamente. Falta de tempo que eu própria criei, e embora me sinta feliz pelo trabalho que estou a fazer, sinto falta... do tempo.

Como seria mais fácil se não me questionasse sobre o sentido da minha existência! Como seria mais fácil se, como o grão de areia, demorasse exactamente o necessário para chegar de um ponto a outro...sem falhas, sem acidentes. Mas este grãozinho de areia, quando tenta seguir esse caminho, sem falhas, sem acidentes, apanha uns vendavais que a fazem andar às voltas, apanha aguaceiros, que a fazem cair, apanha uns muros onde bate e nem sempre consegue passar. Não é fácil ser um grãozinho de areia. Mas, mesmo pequenino, este grãozinho de areia não desiste e vai continuar a tentar chegar a algum lado. Onde não sabe ainda, mas vai descobrir.

Este texto era mesmo o que eu precisava ler hoje. Obrigada, Cybe!
Beijinhos

CybeRider disse...

Olá Nirvana,
Pois... Um blogue é uma coisa fantástica para espantarmos os demónios que nos assolam.

Não consegui espantá-los, mas tomei-lhes o pulso, já não foi mau.

Não te preocupes, se não passares pelo tempo ele passará por ti na mesma. É uma máquina imparável, este moto-contínuo. No entanto é também uma invenção humana. O grão de areia nem sabe o que é isso. Ele não tem falhas. Imperfeitos somos nós. Falta-nos principalmente a barriga da Vénus paleolítica para nos proteger das tormentas que referes.

Beijinhos!

Soraia Silva disse...

O tempo passa, passa tao depressa que muitas vezes nos esquecemos de determinados pormenores...
cada "grao de areia", que cai, é um grao esquecido, um grao que nos escapou. escapou porque o tempo é escasso e nao conseguimos 8mesmo que se queira) agarrao todos os graos...

gostaria de ser grao de areia, porque por maior que fosse a queda, nao sentiria dor, nao ouviria nada, nao diria nada.
e assim nao lutava contra o tempo, nao rumava contra as "marés" apenas me deixaria envolver no tempo e deixar-me levar por ele :)

beijinho

CybeRider disse...

Olá Soraia!
A nova foto está muito gira!

É exactamente como dizes, andamos muito ocupados para vermos toda a beleza de um grão de areia. Não damos por ele, como não reparamos em nós.

Será que afinal não somos simples grãos de areia? E os bichinhos do tamanho de grãos de areia? Será que também sentem as dores de que falas? Ou outras também parecidas com as nossas?... :)

Beijinho!

Soraia Silva disse...

entre nós e os graos de areia, existe apenas uma igualdade: ambos um dia cairemos, seja onde for ou como for...

o grao de areia, por ser tao simples e puro, acaba por ter maior beleza, enquanto nós "perdemos tudo" por determinados gestos, pequenos (basta isso para se perder)...

lá está, nao damos importancia a determinados pormenores...
A verdade é que apesar de esses tais bichinhos serem "invisiveis" aos nossos olhos, e o facto de os estarmos a magoar (calcar por ex)nao quer dizer que nao sintam dor...
há varias formas de se magoar, e varios formas de sentir a dor...
nao vivo no mundo animal (quer dizer, às vezes até me leva a crer que sim :P)por isso nao serei a pessoa indicada para dizer se sentem ou nao...
mas quem sabe se eles no mundo deles tentam comunicar tal duvida em relaçao a nós (digo eu).


beijinho :)

CybeRider disse...

Então e não somos também tão pequeninos? E os grandes (tão grandes que nem os vemos) que também não nos ouvem...

A natureza repete-se infinitamente. Se escutarmos com atenção, lá estarão eles, os pequenitos, a queixar-se de nós; e a infectar-nos com a tal gripe e assim...

Beijinhos! :)))

Soraia Silva disse...

sim, de facto à beira de muitas coisas, acabamos por ser bem mais pequenos, quase invisiveis...
e por outro lado, os que estao mais abaixo de nós (os mais pequenos) muitas vezes (por mais pequenos que sejam) parecem-nos maiores do que julgavamos.

vejamos... coisas grandes? deixa cá ver...
-o ceu, tambem nao me ouve (para meu azar às vezes)
-o sono, que enquanto durmo nao posso ver o que me rodeia ou se poderá passar enquanto durmo (:P)
-o meu pensamento, que por mais voltas que às vezes dê, nao chego a uma conclusao (ao fim de algo)

e mais uma ou outra coisita que me está a falhar (talvez de serem tao grandes que agora nem estou a ver LOL)

:P

beijinho :)

CybeRider disse...

Soraia, a nossa natureza deixa-nos uma margem fantástica, é que consoante estejamos de bem ou de mal com o Mundo, assim nos podemos sentir pequenos como o grão de areia ou tão grandes que ninguém nos consegue ver. Dizes bem, assim grandes como o céu, que achamos que vemos, mas que na realidade encerra mundos imensos onde o nosso planeta seria um simples grãozinho de areia. Isso sim que é assustador.

Beijinho!

Soraia Silva disse...

Eu sinto-me grande, esteja bem ou mal, nao ache que seja inferior a alguem, muito menos superior so acho que como humana é impossivel atingir determinadas coisas...

olha eu sou tao grande que quando me ponho em frente ao espelho (em alguns)a minha cabeça nem aparece? porque sera? eheheh
talvez porque quem ve caras nao ve coraçoes (ou será que tenho uma cara maior que o meu coraçao?):P

beijinho CyberRider:)

CybeRider disse...

Soraia, o teu coração é tão grande (e eu sei, porque senão não estaríamos a ter esta conversa), que se a tua cara fosse maior que o coração terias que ter mudado as portas de casa, por isso creio que não. :))))

Beijinho Soraia! :)

Soraia Silva disse...

eheheheh bem visto :P
nas portas de cá de casa, devem entrar umas trezentas cabeças ao mesmo tempo (so para imaginares o quanto a minha cabeça é pequenita em relaçao a uma qualquer porta da casa :P)

sabes??
nao me digas que és um genero de vidente LOL

beijinho

CybeRider disse...

É nesta altura que eu me pergunto: mas estávamos a falar mesmo de quê?... :))))


Beijinho Soraia!

escarlate.due disse...

já aqui não vinha faz tempo (às vezes é assim... o tempo parece que falta... outras parece que sobra... esta coisa do tempo faz-nos complicar tantas vezes a vida...) resultado: uma montanha de textos para ler (e de novo a falta de tempo, que no meu intervalinho de trabalho o tempo corre e no de trabalho o tempo parece adormecer... às vezes é ao contrário... ai esta coisa do tempo...). mas dizia eu que venho aqui e começo a ler os textos em atraso e os comentários também (esta minha pancada de ler comentários à pesca da revelação mais explicita das entrelinhas...) e eis que me deparo com a dúvida: deliciou-me mais o texto ou a caixa de comentários?
e por entre a dúvida acabo a pensar no tempo
o tempo que se vai esgotando grão a grão, como a nossa vida...
e eu só espero chegar ao fim tão tranquila com os meus grãozinhos de vida como o tempo com os seus

CybeRider disse...

Olá Escarlate!
Também eu sinto as ausências, é parte da magia... Fico a abrir as caixas e a ver quem se lembrou, quem se esqueceu, e fico também a pensar no tempo, nos grãozinhos que vão correndo... Uns que se agarram aqui ao vidro e que demoram mais um bocadinho a cair... Outros há que sinto que passaram (o contador diz que sim...) e que não os consegui ver.

O resto da magia, são as coisas maravilhosas que recebo de quem se demora mais um bocadinho, que me dão, tantas vezes, aquela perspectiva que não tinha, e me fazem olhar para os pensamentos com uma nova esperança, fazem-me sentir que de facto não sou assim tão estranho, que afinal não estou tão só.

Também saboreio os vossos textos dessa maneira, mesmo depois de comentar, volto, para ver quem acrescentou algo. E surpreendo-me quando encontro quem pensava nunca mais voltar a ver, por encontros ou desencontros, que tantas vezes são dissonantes de escolhas que fiz.

Mas também nessas alturas, procuro a tranquilidade, porque se estivermos de contas certas com a vida, esse tal fim há-de esquecer-se de nós, mas acaso não se esqueça também não fará diferença nenhuma.

escarlate.due disse...

o tempo (aquele que às vezes me irrita) anda 1 pouco fugidio que esta coisa de termos de trabalhar ocupa-nos mais tempo do que era suposto, mas garanto-te que não deixarei de passar por aqui, gosto de blogs que fazem puxar pela cabeça, trabalhar os neurónios, olhar para mim e em redor com mais atenção.
também é verdade que às vezes o tempo escapa porque tenho aquela mania maluca de não ler de esguelha e ir adiante e de não comentar apenas por comentar (é que desperdiçar o tal precioso tempo não me parece boa opção para os grãos da minha vidinha)
estranho? só? oh Cyber temos uma multidão à nossa volta e se olharmos bem até que não é assim tão má, talvez 1 pouco estranha, às vezes, como nós, mas eu nem me importo muito de ser estranha :) afinal a vida também é feita desses grãozinhos, não é?!

CybeRider disse...

É! Sem dúvida! E ainda bem, porque senão isto era uma monotonia de pasmar!

Não deixo de sentir algum receio de não corresponder às expectativas, porque fujo ao populismo e ao facilitismo, mas principalmente porque nunca penso no que alguém poderá querer ver aqui. Sem essa preocupação de agradar, o que aqui vem parar é importante para mim, e debato-o com a alma.


Custava-me transformar isto num descritivo de realidades, já há tantos... Ou num espelho de futilidades que fosse. Por isso o visual é o que é, o resto é genuíno.


Se alguém conseguir cá encontrar razão para gastar o percurso de alguns grãozinhos, então vamos nisso. O prazer será principalmente e sempre, meu.

Obrigado Escarlate! :)

escarlate.due disse...

não me agradeça Cyber, se há alguém dentro deste mundo blogosférico que tem algo a agradecer sou eu. uma boa parte da minha memória esteve aqui nos blogs que criei (para mim, essencialmente para mim)e naqueles por onde fui passando e não fossem os cibernautas talvez eu nunca tivesse conseguido chegar de novo a ela. parece estranho, não?! mas é verdade :) afinal por trás de cada monitor existe gente e por vezes gente com 1 história estranha e gente que nos ajuda até mesmo sem sonhar que o faz.
às vezes dizem-me "tu gostas de cada blog mais estranho" e eu respondo com um "pois" (que é aquela palavrinha que serve para tudo o que não quero dizer). estranho? o que é que tem de estranho 1 blog onde se escreve bem, ou onde se sente algo, um blog que pode ter 1 texto que não apanho as entrelinhas mas que sinto que tem lá escrito muito mais do que eu alcanço de 1 vida, mesmo que não tenha 30 mil comentários nem os textos ou imagens que estão na berra?! ainda bem que são estranhos, como eu

CybeRider disse...

Escarlate, para mim a blogosfera tem sido o reencontro com alguém que eu pensava ter perdido para sempre desde há muito. Mas não só, estas edições de autor têm-me trazido surpresas, e um renascimento de esperança neste mundo, porque o que encontro por aqui mostra que a realidade que nos empurram é uma ficção. Qualidade e valores humanos não são apanágio de alguns que nos são incutidos como "modelos", são na verdade qualidades que subjazem com relativa frequência em muitos incógnitos com quem nos encontramos nas ruas sem saber. Haja um olhar atento para descobrir autênticas pérolas nesta imensidão. Só tenho pena que, tal como na vida, não tenha um dom de omnipresença que me mostre todas as coisas lindas por aqui esquecidas. Mas o facto de conseguir encontrar algumas já me torna num garimpeiro feliz.

Há coisas "estranhas" que o são pelo nível de beleza que encerram. E as outras levam-nos também a pensar e a aprender, sobre elas mas principalmente sobre nós.