sábado, 22 de agosto de 2009

A cigarra e as formigas

A meus pés, o carreiro de formigas...

Infestam-me o mundo, nas suas filas indianas, que decerto chegam à Índia, onde nunca estive, mas que imagino. Cheia de formigas também. Como estas, que se acotovelam, como na fila do metropolitano. Imagino-as a atravessar pontes e vales, montanhas e desfiladeiros. Embarcam nas folhas e vão-se pelos ribeiros à aventura. Sem louros a colher, sem História, nem política...

Uma imensa monarquia, talvez um império cheio de rainhas que, de pernas abertas nos tronos, infestam e manifestam sem cessar. Um negócio de família afinal, maior que qualquer latifúndio que conheçamos. Em comum a mão de obra barata, a sujeição irracional, a massificação quase automática como que telecomandada. Recolectores pré-históricos, que não pensam que o mundo acaba, não sofrem da ansiedade da morte, nem das incertezas da velhice.

Uma sociedade complexa. Com hostes que se dividem em tarefas específicas. Talvez não se entendam umas às outras na missão mas, ao contrário de nós, não se questionam. Limitam-se a cumprir o destino que lhes coube em sorte. Sem ambição, nem gula. O altruísmo é automático, derivado do cumprimento espartano.

Não conhecem a cigarra. Fomos nós que lha inventámos. Porque tínhamos de lhes poluir o mundo com uma inveja que não concebem. Com uma moral que não as toca.

Somos nós quem questiona a laboriosa formiga face à preguiçosa cigarra. Nós, que também infestamos o mundo que pensamos que é nosso. Que nos escusamos à comparação com a estirpe de gripe mais violenta. Fugimos à analogia entre a nossa pandemia sobre a Terra e a de qualquer vírus que subavaliamos em intelecto. Não reconhecemos a violência com que debilitamos este nosso hospedeiro, cujo sistema imunológico nos tenta a todo o momento repelir. Oxida-nos os tecidos, invade-nos de natureza, que logo acusamos de doenças, que no entanto não a atingem, a essa Terra-mãe que tudo gera. São essas as suas defesas contra a nossa acção nefasta.

Questionamo-nos as razões de cada missão a que nos propomos. Quantas vezes não encontramos nexo na Ecologia, que nos tenta preservar enquanto não acharmos outro hospedeiro que contaminemos e extorquamos à exaustão. Talvez a Lua... Atrasa-nos o suicídio, que sobreviria se apenas o grupo de recolectores existisse. Sim, continuamos a recolectar tudo o que podemos deste globo, as transformações do que colhemos iludem-nos, como se fossemos capazes de criar. Deuses menores numa acrópole de mentecaptos mecânicos, que se revezam na atitude e no posto, desejando e adorando um pai que nos abandonou há muito.

Deixamo-nos governar pela cigarra. As nossas rainhas não são suficientemente belas, nem têm o monopólio da parição. Perderam assim o poder face ao esplendor do canto e à cristalinidade das asas que aquela ostenta.

A cigarra não tem o poder de avaliar o mérito nem a justiça do destaque magnífico que o formigueiro lhe dedica. Limita-se a alimentar-se do que as nossas hostes laboriosas lhe colocam aos pés em vénias redobradas e salamaleques. Empanturra-se de mordomias, injustificáveis.

Um dia morre.

Mas quando morre uma cigarra é sempre o carreiro de formigas que a carrega, em ombros.

E guardam-na na despensa. E, um dia, banqueteiam-se com ela.



© CybeRider - 2009

23 comentários:

Chapa disse...

Sempre desconfiei desse colectivismo das formigas, é uma espécie de alienação invejosa que critica a cigarra, por não conseguir ser como ela. No fundo, em cada formiga livre existe uma cigarra.
Abraço

CybeRider disse...

Olá Chapa,
Já estivemos mais longe de ver um carreiro de cigarras a carregar uma formiga em ombros. Mas não creio que tal de facto aconteça. No dia em que houver mais cigarras que formigas, aquelas vão-se comer umas às outras, e às formigas também, ainda vivas. As cigarras não têm despensa, nem maneiras.

Abraço

Mário Rodrigues disse...

A sociedade serve o indivíduo, versos, o indivíduo serve a sociedade...
Não creio que nos libertemos disso, mesmo porque não sei exactamente qual a melhor...

Um abraço

CybeRider disse...

Mário, essa é uma perspectiva lúcida. Porém, revejo-me melhor na utopia de uma sociedade sem parasitas. Não me importo nada de ser servido pela sociedade que dia a dia construo com as minhas mãos.
Como refere o Chapa, não deixo de invejar quem se estende na rede e acalenta todos os mimos sem esforço aparente, é a minha consciência que se avilta por cada "favor" que não retribuo, ou principalmente por cada benece que não mereço. Podia viver dessa maneira, mas nunca de bem comigo.

Abraço!

Gemini disse...

Eu gostava de ter nascido no Mundo que trago comigo!

Não que seja impelido por um egoísmo de viver sózinho, num cenário idílico! Nada disso, Antes pelo contrário; para que pudesse excluir os males mundanos que me são conhecidos. Extinguir as injustiças. Poupar este Planeta, que estamos mesmo a conduzir a uma morte precoce.

Dói-me a abordagem a este assunto. Dói-me o egoísmo de quem sabe que, estando apenas de passagem por cá, neglegencia o futuro dos que acabam de chegar e dos que possam ainda estar para vir!

Milhões que ficam em contas dos bancos, que num futuro imagino servirem para pagar a saúde, melhor, a doença. Ou parte dela...

Um abraço!

CybeRider disse...

Gemini, poderá a doença curar o hospedeiro? Não estaremos condenados a debilitar o planeta? Não será essa a nossa essência? Até posso reciclar. Mas como me vejo sem o petróleo, o gás, os minérios? Estarei disposto a cultivar milho e soja para alimentar os famintos? Ou afastá-los-ei a tiros de caçadeira do meu campo cultivado com o intuito de me encher o tanque do carro de biocombústível? Que formigas somos nós afinal, se não sabemos talvez viver sem as mordomias da cigarra?
Qual será a nossa escolha? Alimentarmo-nos da cigarra e prosseguirmos com os nossos carreiros inofensivos, ou transformarmo-nos em cigarras que, sem formigas, teremos que nos empanturrar umas com as outras, destruindo o nosso habitat e pondo em causa o nosso futuro?

Esta questão de atitude é transversal à sociedade em todas as suas manifestações, da política à sociologia passando pela ecologia ou qualquer outra ciência que se escolha. Não há domínio em que não nos possamos questionar sobre os resultados da nossa acção pandemiológica.

E vou acreditando que o segredo da cura não pode estar na proliferação da doença...

Um abraço!

Nirvana disse...

Formigas e cigarras sempre existiram e existirão. Na velha história da formiga e da cigarra que ouvi em miúda, eu até gostava daquela cigarra, que passava o Verão a cantar, porque afinal só lhe tinham ensinado isso. Tinha nascido para ser cigarra e não formiga. Também gostava das formiguinhas, que trabalhavam e armazenavam noite e dia. Tinham nascido para ser formigas, e não as tinham ensinado a cantar. Mas gostavam da música da cigarra. A tua cigarra e as tuas formigas são diferentes, eu sei, mas no fundo, acho que o que falta é o mesmo: equilíbrio. Não podemos esperar que sejam o que não são. Se calhar, se ensinassem a formiga a preguiçar, se ela fosse capaz de aprender, talvez fosse diferente. Deixaria de ser formiga? Não sei. Esperar mudanças tão grandes se calhar é utopia. Mas podiam aprender a olhar para o lado, a não seguir só o seu carreirinho sem questionar. Não armazenar só por armazenar, mas na medida das necessidades. A cigarra também poderia descer do seu pedestal e acompanhar mais de perto as formigas. Afinal, o mundo em que vivem é o mesmo. Visto de perspectivas diferentes, mas o mesmo. E se não o cuidarem, deixará de o ser para ambas.
Claro que não nos imaginamos sem os confortos que a exploração do planeta nos proporciona, mas podemos tentar fazer o que está ao nosso alcance. Não ser formigas que não pensam, apenas fazem sómente o que lhes ensinaram. Nem cigarras que se limitam a esperar, sem mexer uma palha. Equilíbrio. Parece pouco, mas parece ser pedir muito.
A doença poderá não curar o hospedeiro. Mas não é com o estudo das doenças que se descobrem as curas? Não é com os próprios virús que se fazem algumas vacinas? Triste é o Homem ter esta capacidade, de transformar o mal em bem, e se deixar dormir.
E nós, pequenas formigas no mundo, podemos até poupar um pouco o mundo à nossa volta. Reciclar, não desperdiçar desnecessariamente, mas somos tão pequenas que se calhar não faz diferença. Mesmo assim, continuo a fazê-lo. Se calhar se todas as pequenas formigas fizessem isso, talvez se notasse, não sei.
Afinal, existem mais formigas que cigarras...

Beijinhos, Cybe

Mário Rodrigues disse...

Sou tentado, mesmo porque subscrevo, pela proposta do Gemini de, “Eu gostava de ter nascido no Mundo que trago comigo!”
Depois de reflectir um pouco, tenho a certeza que haveria de desagradar a muitos... Que se iriam revoltar e me matar... Ou então, para que assim não fosse, eu, teria de ser um desprezível ditador... E esse, não era o mundo onde eu gostava de ter nascido...

Um abraço

CybeRider disse...

Olá Nirvana,
Fazes jus à frase que te pedi para honrar a barra da direita... :)

Este teu comentário é de esperança. Fico a pensar se de facto, ao contrário das cigarras e as formigas, teremos tido o direito de extravasar o que existiu em nós de simbiótico com a natureza, ou se se tratou de simples aleivosia.

Sei que admiro as formigas, que se comportam como um rebanho orientado por uma mão invisível (neste caso não pelo conceito de Adam Smith), e que se mantém no carreiro sem necessidade de vergastadas. Mas é a liberdade da cigarra que atrai, ainda que não se conheça o fundamento da cega submissão da formiga a uma ordem natural.

Assim, a desordem que invejamos pode muito bem ser a nossa ruína.

Mas haja, como defendes, esperança nas formigas, naquelas que tenham capacidade para não seguir o que a natureza lhes dita, porque me parece que a mão invisível deste formigueiro nos vai guiando para a desgraça. Temos que ser formigas especiais, capazes de parar, pensar, principalmente retroceder nalgumas mordomias de cigarra.

Beijinhos, Nirvana!

Gemini disse...

Amigo Mário,

O Mundo que trago comigo, entre outros pequenos pormenores, será um Mundo onde, por exemplo, as regras ao invés de serem "compradas" por uns, seriam cumpridas por todos! O Mundo que trago comigo, Mário, é um Mundo são, de entendimento. Com seres humanos de valores, de principios.

Observo neste mundo o comportamento animal, o selvagem mais propriamente, e vejo disputa. Vejo confronto. Vejo luta pelo território. Vejo luta pelas femeas e até femeas que lutam pelos machos. Mas não os vejo a destruir o ozono...

O Mundo que trago comigo, é de respeito, é de igualdade. É um Mundo só de pessoas inteligentes. Porque as pessoas inteligentes, aplicam a inteligência no BEM. As outras?! As outras apenas pensam que o são.

No Mundo que trago comigo, Mário, jamais haveria ditador ou ditadura, compreendeste porquê?...

Um abraço.

Mário Rodrigues disse...

Gemini,
...E assim, eu quereria nascer no teu mundo, porque acredito que podesse ser o mundo bom para os meus filhos viverem, e para os meus pais morrerem...

Soraia Silva disse...

relacionando as formigas e as cigarras ao mundo humano:

hoje em dia ha mais cigarras que formigas...
diga-se que as formigas sao um animal muito inteligente. apesar de nao conhecer o mundo delas (terão elas a sua maneira de comunicar umas com as outras, tal como nós temos).
parecem tao certinhas com o seu ritual, no que lhes é destinado, no seu dia-a-dia.
Sao um animal que trabalham em conjunto, que vao atras do que precisam para sobreviverem, mesmo com as suas reservas (indo um pouco pelo conto da formiga e da cigarra).
A cigarra ja é alguem que nada faz, apenas o que lhe vai na cabeça, nao se preocupa com o dia de amanha (ao contrario da formiga).
As cigarras (nós humanos)foram habituadas a nao fazer nada, e quando se vêm "aflitas" reagem conforme lhes der mais jeito, mais beneficio, de forma a desenrrascarem-se...

olhamos à nossa volta e vemos imensas cigarras, basta ver em que mundo vivemos para percebermos que existem mais cigarras que formigas...
as cigarras apenas sabem "gozar" supostamente o mais fraco, desprezam o trabalho, o valor dos outros. a formiga fica caladinha, à espera da sua hora para se poder rir com mais vontade um dia da cigarra...

olha a politica, o governo que temos ...
é so cigarrinhas. so mandam paleio, mas na hora de agir é o que se ve.
as cigarras nao sao nada sem as formigas, porque apesar das formigas aos olhos delas serem de nivel mais baixo, quando precisam de algo, quem as desenrrasca (infelizmente) sao as formigas, afinal estas é que foram treinadas para trabalhar...

portanto, as formigas sao inteligentes, e para se ser inteligente é preciso muito, e como neste povo metade so gosta de coçar o "umbigo à ombra da bananeira", ta visto que há mais de metade de cigarras neste planeta...
apesar de se andar a estragar muito do planeta, essas (cigarras) so nao fazem pior porque tambem precisam de sobreviver e nem aí as formigas as salvam...

é o meu ponto de vista, claro!!

beijinho

CybeRider disse...

Gemini, Mário,
Continuo convencido de que é a minha incompetência que não vos permite viver nesse "vosso" mundo de sonho...

Forte abraço a ambos pela vossa compreensão. Vou continuar a tentar lutar contra a minha natureza.

CybeRider disse...

Olá Soraia,
Não estou assim tão certo de que as formigas do nosso mundo estejam em extinção. Talvez haja por aí muita formiga em pele de cigarra. Também somos animais muito inteligentes, como as formigas, talvez ainda haja esperança. Talvez andemos um bocadinho perdidos.

Vais ver que estamos só à espera que as cigarras morram, para as levarmos para as nossas despensas e fazermos uma patuscada.

Gostei do teu ponto de vista.

Beijinho!

escarlate.due disse...

excelente esta análise :)
a sociedade é feita disso mesmo, formigas, cigarras (e não só, mas também)
e temos sempre tendência para julgar, como se de deus fosse o papel que nos cabe... às vezes também podiamos dedicar-nos a divagar: porque srrão as formigas formigas ou porque serão cigarras as cigarras?
será questão de genes? será que a formiguinha nasceu predestinada a comportar-se toda a vida como formiguinha e a cigarra como cigarra?
quem garante que alguma daquelas cigarras não foi em tempos formiguinha e depois, sabe-se lá porquê (às vezes sabe-se) acabou por transformar-se... quem garante que alguma daquelas formiguinhas não nasceu cigarra e num qualquer momento (sabe-se lá porquê...) acabou formiguinha...
e se no mundo só existissem formigas? e se só existissem cigarras? será que o mundo era igualmente belo?
o homem que caçou o lobo, o lobo que caçou a raposa, a raposa que caçou a galinha, a galinha que comeu a minhoca, a minhoca que papou a maçã...
lei da vida e suas consequências. se assim não fosse não existira a lei da vida. se não existisse não existira vida... ou talvez sim...

CybeRider disse...

Olá Escarlate!
Que bela análise digo eu! :)

De facto não pensei nalgumas vertentes, e quase fico preocupado, se for uma questão genética isto talvez já não tenha cura, por outro lado muitas coisas ficariam explicadas. Mas creio que não, é principalmente o nosso sistema de promoção que nos situa no catálogo.

Talvez façam todas falta para a beleza do mundo, a questão que me aflige será principalmente a proliferação de umas relativamente às outras, que poderá desequilibrar o que tenderia a ser perfeito.

Talvez necessitemos que uma formiga prenda o pé na neve para descobrirmos que o que leva daqui o homem é mais poderoso que tudo. Não é um deus... Se pensassemos nisso talvez também o não fossemos.

pepita chocolate disse...

Quanto às formigas trabalhadoras, aponto-lhe apenas a monotonia dos seus carreiros. sempre tão certinhas, tão direitinhas.Incapazes de contestar, porque foram designadas para isso - trabalhar. E quando saem do seu carreiro, parece qu as outras se incubem de a castigar. Não são como as cigarras -altivas, gozonas- que gozam a vida, mesmo que os Invernos cheguem, mesmo que lhes chamem parasitas, importam-se pouco. Porque gozam mais que as formigas, vivem à conta delas, e no fim, morrem de barriga cheia e ainda têm quem as carregue em ombros,quem as venere.Lhe faça funerais de honra. Porque depois de mortas, todas as cigarras parecem boas...

E qualquer coincidência com a realidade (dos homens) não é pura coincidência...

Não sou nenhuma cigarra (mas sou tão má de cantorias como elas!)! sou mais parecida com as formigas, gosto de amealhar, não vá vir um vendaval na vida, que me leve o telhado da casa. E depois, não vou ter formiga que ajude, porque a vida está boa é para as cigarras!

Beijinho!

CybeRider disse...

Olá Pepita!
Não sei se as formigas temerão o castigo. Quando vejo uma, solitária, a percorrer o chão que piso, já sei que vai em missão, de encontrar alimentos e voltar para avisar as outras; poderia desertar, mas não o faz. Também não sei o que a torna num emissário de confiança. Talvez não se questionem acerca do futuro, não adormeçam a pensar que lhes chegará uma lotaria milagrosa.

Veneramos talvez as vezes em que as cigarras nos marcaram o compasso da labuta. Talvez respiremos de alívio pela morte do tirano que aprendemos a venerar, damos o exemplo de disciplina acatada ao mostrarmos aos outros a nossa admiração pela cigarra que nos dominou.

Era mais fácil fazermos como a formiga, cumprirmos o nosso papel, com dignidade e franqueza. Que bom seria se fossemos "de confiança"...

Beijinho!

Gemini disse...

CybeRider,

não sei se será da tua incompetência! Ao que sei, tal como eu, nasceste perfeito, sem defeitos nem manchas no CV. Não trazias etiqueta nenhuma que referisse; "condenado a errar", contudo, aprendeste com humanos, a comportar-te. Só mais tarde te foi possível seres tu próprio, e isso já será competência.

Eu tento minimizar o meu (erro) a cada dia. Sei que quando me deitarem, a sete-palmos, terei atingido a perfeição. O desafio, porém, é tentar consegui-lo antes! Afinal...

O verdadeiro erro, é aquele com o qual não soubemos aprender NADA!

Um abraço.

CybeRider disse...

Gemini, quase me convences de que não tenho possibilidade de controlo sobre o meu mundo... Tens razão, em relação ao erro. Mas é muito difícil de evitar quando se nasce com o dom da incapacidade de ser competente. Não é uma etiqueta, é uma sina.

Acho interessante que afirmes que nascemos perfeitos e atingimos de novo a perfeição no final do nosso tempo. Isso significa que levamos uma vida a desaperfeiçoar-nos... Isso significa que seríamos tão perfeitos sem registos como seremos no somatório total de tudo o que registámos... Não tenho esse conceito de perfeição, que prefiro não aplicar ao humanos. Creio antes que é a imperfeição que nos define, servindo aquele conceito apenas como ferramenta de avaliação do que realizamos.

E de repente questiono-me se alguma fez fiz algo que não fosse um erro, e penso se terá havido algum em que não tenha aprendido algo. Talvez essa seja a medida da minha autoavaliação, talvez essa tua frase que prezo me seja boa para alimentar o ego, ao fim de tantos anos a espalhar calamidade.

Um abraço!

Gemini disse...

A perfeição, a perfeição...

Isso levava-nos longe!

Um abraço, Cybe.

CybeRider disse...

:)))))

(E deixas-me a pensar... Será um desafio para breve?...)

Um abraço Gemini!

Gemini disse...

Porque não?!...