terça-feira, 18 de agosto de 2009

A caixa de música

Pressionei o pequeno troço de metal brilhante. Dei-lhe algumas voltas com os dedos.

Pousei a caixinha de acabamento finíssimo sobre a mesa do boudoir, lacada a negro brilhante, com flores marchetadas por algum hábil artífice. Abri o pequeno fecho da tampa e levantei-a, parte de um cenário coberto a espelhos multifacetados, dispostos em semicírculo. O forro vermelho que cobria o fundo da caixa, tinha cavidades em volta, tinha também outro espelho, circular, ao centro.

A música começara. Uma pequena harpa tocava a melodia celeste que só por si já embevecia. Retirei com cuidado a pequena fada do seu leito e coloquei-a sobre o lago, formado pelo espelho central.

Fiquei a mirá-la, sob hipnose, enquanto revolteava no seu vestidinho de corista, as pernas nuas surgiam-lhe maravilhosas sob o saiote de tule. Os braços em arco sobre a cabeça.

Pim... Pimperlimpipim... Pim, pim... Pim, pim...

Não conseguia libertar o meu olhar do voltear da pequenina figura sobre o seu lago hipotético. Imaginava-me a acompanhá-la, no seu mundo perfeito em que nasceu para bailar nos meus sonhos, adivinhava-lhe o sorriso sereno, da segurança dos passos de dança. Via-a como que saltasse e pousasse em pontas de novo, como que de nenúfar em nenúfar, o que lhe seria possível, sem custo, pela sua virtuosa delicadeza.

Via-me a pegar-lhe na mão e a suster-lhe o corpo elegante no ar, enquanto desenhássemos figuras belíssimas. Eu, do tamanho dela; como via nos bailados clássicos da televisão.

Não bastava a magia da música, tinham de ter inventado uma figura tão linda para dançar, a propósito, para mim.

Tive outras paixões na vida, mas nunca pude esquecer a pequena bailarina, nem a segurança com que volteava no seu mundo, onde nada acontecia sem o acompanhamento da música de corda. Como numa maravilhosa história de amor.

Um dia fechei pela última vez a tampa da maravilhosa caixa. Parti para o mundo à procura da minha própria caixinha de música, onde pudesse exibir os passos graciosos ao lado da talentosa prima ballerina. Vagueei para encontrar o lago brilhante e sereno onde uma fada dançasse em círculos aquele bailado eterno. Gostaria de lhe ter dito quanto lhe invejava a vida maravilhosa e quantas vezes sonhei com o seu sorriso misterioso, tranquilo e seguro. Gostaria depois de a fechar na minha mão, para a poder soltar quando quisesse e vê-la dançar só para mim.

Gostaria principalmente de lhe ter trauteado ao ouvido a música que nunca esqueci. Ela haveria de se admirar e talvez pela primeira vez os seus lábios mágicos se abrissem num espanto, e então, quem sabe, ela me correspondesse a paixão:

Pim... Pimperlimpipim... Pim, pim... Pim, pim...

Quando a voltei porém a encontrar, anos mais tarde, já não emanava a mesma beleza virginal. O vestido de tule estava amarelado, cheio de manchas. As pernas esbeltas estavam raiadas de varizes e máculas escuras. O cabelo desgrenhado já tinha conhecido melhores dias, algumas mechas escondiam-lhe as rugas que o tempo lhe lavrara a cinzel, indeléveis. Reconheceu-me. Apagou à pressa o cigarro e tentou pôr-se em pontas, mas os sapatos estavam rotos. O cheiro a bebida fazia-me antever que mesmo o estereotipado "quatro" lhe seria difícil.

Encostada ao balcão, tirou outro cigarro e ainda me pediu que lhe desse lume. Não lhe dei corda. Mas beijei-a na testa.

Abri a porta ao sair. Como saíra tantas vezes do seu palco radioso. Fechei de vez o pequeno fecho da tampa. Limpei uma lágrima que me saltou para a noite, pelo frio...

Compreendi que nunca poderia fechar a bailarina na minha mão. Nesse dia deixei de procurá-la, e percebi que o que precisava afinal era de uma mulher.

Foi a última vez que abri uma caixinha de música.

© CybeRider - 2009

18 comentários:

pepita chocolate disse...

Quando comecei a ler o teu texto, tive saudades das minhas caixinhas de música. duas. As que tenho guardadas no fundo do meu baú. No quarto dos fundos. Uma delas também tem uma bailarina. Também uma das minhas caixas de música é igual à tua. Sempre invejei a graciosidade dos movimentos, a perfeição do corpo de bailarina. Adoro caixas de música. Ainda hoje tenho uma perdição por elas. E quando chegar a casa, hei-de procurar as minhas e dar-lhes corda. Porque me fascinam. Porque me deixam extasiada, por instantes, em que o mundo parece parar. E se agora me perguntassem que presente eu quereria receber, responderia, uma caixinha de música...

Mas a tua caixinha de música foi mais do que música com corda, foi uma caixa cheia de ideias e sentimentos, que aberta mais tarde, não permaneceu imutável. Foi uma caixinha de música sujeita ao tempo e às intempéries da vida.A bailarina poderá ter ficado sem corda, mas a vida não a deixou parada no tempo e no espaço. Saltou do palco forrado a veludo vermelho, para os caminhos da vida, alguns sinuosos talvez. Existem bailarinas que não conseguem viver em caixinhas de música, só com a corda dada pelos que as querem ver dançar. outros as farão dançar de modo desengonçado, que nunca lhes vai permitir voltar à graciosidade de tempos passados.

E porque, afinal, podemos reconhecer atributos de beleza a alguém, que mais tarde se desvanecem e deixam a nu,algo que nunca quereríamos para nós. a beleza ofusca os defeitos. MAs a beleza artificial é curta...e quando acaba, resta-nos a ideia que afinal nem tudo o que parece, é...
E como diria um amigo, uma mulher lindíssima, de beleza que dá nas vistas assim que lhe pôe os olhos em cima- pode ser a da tua caixa de música - será de todos e não de um só. Uma mulher de beleza "escondida", será só de um, daquele que teve a capacidade de lhe ler a beleza, aquela que não salta logo à vista...

Beijinho!

Mário Rodrigues disse...

Caríssimo Cybe,

Tenho por... Talvez hábito... Me deixar deslizar, numa sedução á qual não resisto, só porque estou a gostar... Voei com a tua descrição maravilhosa. A meio do texto vejo um tomar nas mãos as rédeas. Mais tarde... Mais tarde, tenho por... Talvez hábito... Me deixar deslizar, numa sedução á qual não resisto, só porque estou a gostar... Gosto de desvendar, embrenhando-me perigosamente, os mistérios e as cicatrizes das vidas que apesar de mais caras, foram piores... Não gostei que tivesses saído fechando a porta, que não lhe desses corda... No entanto beijaste-a na testa; comoveu-me... A lágrima era inevitável!
Também as circunstâncias lhe puseram o copo na mão e o trago no rosto. Por ventura serás uma das rugas!?...

Um abraço

CybeRider disse...

Olá Pepita!
As caixinhas de música são fascinantes. Não sei até que ponto a ideia transmitida será a mesma consoante os olhos que a admiram. As meninas, dizem, sonham com um cavaleiro andante. Talvez um dos sonhos dos meninos seja uma bailarina a dançar só para eles (talvez daí a imagem atraente da odalisca da dança do ventre, sempre irresistível).

Mas o teu comentário perspicaz identifica as nuances da destrinça que descrevi, entre o sonho e a realidade. A ligação a uma bailarina só nossa acabaria por ser demasiado monótona. Uma bailarina privada só pode ser uma utopia. Acabamos por querer mais do que a dança, há que partilhar ideias e ideais, não deixaremos de ambicionar o debate inteligente nesta dança da vida em que a liderança tem que ser a dois.

Nenhum homem deveria poder suster a bailarina na mão à espera que ela se apaixone por quem a aprisionou.

Beijinho!

CybeRider disse...

Ilustre Mário,
Tive que fechar a porta, porque compreendi que a vida -apesar de sofrida- da bailarina era a sua escolha, mesmo que ela não o soubesse. Nascera para bailar, mas não para mim. Ainda que ela não o soubesse, como digo. Só fechando a porta lhe devolvi a dignidade. A procura de um porto de abrigo, sem a paixão que o justificasse seria a antecipação da morte do seu próprio sonho. Seria a sujeição a um tirano, talvez a infelicidade dos dois.

Por vezes temos que saber quando o pássaro que seguramos na mão precisa de abrir as asas e voar. Não nos cabe segurá-lo só porque antevemos que o seu vôo será inseguro.

Eu posso ter sido uma das rugas, mas a sua história é contada por todas elas, e ela orgulhar-se-á de todas, e de ter seguido o seu sonho e a sua paixão pela liberdade, também.

Um abraço!

mfc disse...

Todo o sonho tem o seu tempo.

CybeRider disse...

Palavras sábias, mfc!

Mário Rodrigues disse...

Caro Cybe,

Pelo que me respondes, vejo que te pedia o que se não pede. A cicatriz é bem mais profunda... No entanto eu tenho a minha missão...

Obrigado por estares desse lado.

Um abraço

CybeRider disse...

Ilustre Mário,

Como te compreendo na dura missão que abraças! Mas é a razão dos homens e a sua forma complexa de ver as coisas que tantas vezes se torna no óbice que não se transpõe.

Noutras vezes cria-nos a ilusão de que temos o direito de possuir o que nunca será de ninguém. As forças da natureza só em liberdade fazem sentido.

Um abraço!

Gemini disse...

Olá CybeRider,

Desculpa deixar-te aqui uma citação. Creio no entanto que desdobra-la em palavras "minhas", não faria, ao caso, qualquer sentido.

[...]
" Durante toda a minha vida, entendi o amor como uma espécie de escravidão consentida. É mentira: a liberdade só existe quando ele está presente. Quem se entrega totalmente, quem se sente livre, ama plenamente.
E quem ama plenamente, sente-se livre. Por causa disso, apesar de tudo o que posso viver, fazer, descobrir, nada faz sentido. Espero que este tempo passe depressa, para que eu possa voltar à busca de mim mesma – sob a forma de um homem que me entenda, que não me faça sofrer.
Mas que disparate é este que falo? No amor, ninguém pode magoar ninguém; cada um de nós é responsável por aquilo que sente, e não podemos culpar o outro por isso.
Já me senti ferida quando perdi os homens por que me apaixonei. Hoje estou convencida de que ninguém perde ninguém, porque ninguém possui ninguém. Essa é a verdadeira experiência da liberdade: ter a coisa mais importante do mundo, sem a possuir."

Paulo Coelho in "11 minutos"

(pág. 89)

Agora, usando então as "minhas", acrescentaria apenas que, às vezes, mais vale viver no sonho do que realizar o pesadelo!

Desencontros...

Um abraço!

CybeRider disse...

Gemini,
Goste-se ou não do Paulo Coelho, muito do que escreve acaba por traduzir sentimentos profundos de uma forma bastante clara, que leva a que as suas obras talvez justifiquem o facto de ser o autor que actualmente mais vende no Brasil. Tem que ter méritos. Se bem que seja muitas vezes lapaliciano e as acabe por ver classificadas como textos de auto-ajuda. Goste-se ou não, dizia, (e gostos não se discutem) o texto que referes expressa de facto a ideia que subjaz à minha pequena história. Sem lhe retirar méritos, até porque tendo a reconhecer quem pensa, independentemente de etiquetas, tenho que confessar maior estima pela tua frase, que traduz de forma simples o sentimento que partilho.

Quanto à citação, teria que avaliar a importância da perda, não de alguém -no sentido de posse que o texto refere- mas dos sentimentos que esse alguém nos dedica, e esses parecem-me demasiado relevantes para que possam passar sem análise. Essa é a causa da mágoa. E justifico-a. Não podemos responsabilizar-nos em exclusivo pelo que sentimos, porque o amor não é um estado totalmente irreflexo, antes resulta da simbiose entre o que procuramos e a forma como esse sentimento é correspondido, não que o possamos exigir, mas quem ama sente necessidade de cativar para ser cativado. De outra forma o tal sentimento não passaria de uma paixão mórbida e masoquista, este sim de foro exclusivo do portador.

O meu texto traduz isso mesmo, se a bailarina me retribuisse a intensidade do sentimento, não a teria deixado só. De outra forma, seria o início do tal pesadelo que tão bem referes.

Abraço!

Nirvana disse...

Uma das características fascinantes dos teus textos, é a capacidade que têm de se tornarem "vivos". Eu explico: vou lendo o texto e consigo imaginar o seu desenrolar como se de personagens reais se tratassem, aqui, à minha frente. Consigo ver a inocência, o sorriso dançando nos lábios, o brilho de alegria nos olhos ao ouvir o som da música, ao descobrir a bailarina a primeira vez. Os olhos bailando, acompanhando os seus passos de dança. O orgulho por aquela bailarina tão linda, tão elegante, tão formosa e ágil no seu bailado, ser sua.

Mas... tentando compreender a bailarina... a bailarina só dançava quando lhe davam corda. Não podia nunca ser ela a dançar por vontade própria. Não podia ser ela a querer dançar e quem sabe até sair da caixinha e aventurar-se por espaços mais amplos, experimentar novos passos, ir mais além, decidir por ela. Estava sempre sozinha, a não ser que se lembrassem de lhe dar corda. Sempre dependente de uma lembrança, de uma saudade, de uma curiosidade. Fechada, a ganhar pó, enquanto o mundo lá fora girava, sem ela girar no seu lago de cristal... até alguém, um dia, se lembrar de a procurar. Triste, a sina da bailarina. Um dia isso acontece. Mas ela não é a mesma. Depois de tanto tempo, já não tem o fulgor de outrora. Quase já se esqueceu dos passos de dança, já não desliza com tanta graciosidade. Mesmo esforçando-se, não consegue apagar a desilusão nos olhos de quem a observa. Talvez o orgulho, talvez a própria tristeza, que não lhe cabe no peito, a impeça de deixar cair as lágrimas. Espera pacientemente que a música acabe, que a tampa se feche para, sozinha, se deixar dormir novamente. Tanto tempo esperou por dançar de novo... Triste, a sina da bailarina.

O dono da caixinha, procurou, quem sabe, a perfeição daquela bailarina. Tão graciosa e linda, que seria só dele. Tão graciosa e linda que seria difícil encontrar igual. Guardou-a só para ele, no seu pensamento, na sua imaginação, na sua busca da perfeição.
Talvez a tenha amado tanto que não quis que ela se desiludisse ao ver o mundo fora da caixinha. Quis que ela se mantivesse perfeita. Quis manter o mundo perfeito para ela. O mundo dentro da caixinha, o mundo na sua mão. Mas quem ama, quem ama, tem de deixar partir. Tem de deixar o coração voar.

Beijinhos, Cybe.

CybeRider disse...

Olá Nirvana!
Que coisa linda de se dizer sobre um texto! Infelizmente nem sempre consigo esse objectivo, quando me escapo para a narração descritiva as coisas tendem a resvalar para uma monotonia bocejante. Havia outra forma de glosar isto, não me seria tão querida, por isso não o fiz.

Terá que se depreender que existem vários momentos na duração deste texto, embora não sejam evidentes. Daí que a bailarina de corda seja de certo modo uma alegoria a um conceito vulgarmente enraizado com que nascemos que nos leva a procurar na realidade uma bailarina (uma princesa...) ou um cavaleiro andante. Será esse fulcro que desencadeia a paixão. Esta surgirá pela junção da imagem física de alguém que nos atrai a um ideal preconcebido.

Este ideal pode ser feito de muitas coisas, raras são as vezes em que não enforma uma tendência fortemente possessiva que seria sufocante para o visado. Daí o ciúme injustificado, e a exacerbada necessidade de atenção que nos impele a tornar nossa a totalidade da vida do alvo desse nosso sentimento.

Para passar da "bailarina de corda" para a realidade, é só seguir o modelo; encontrado o alvo, é cativá-lo (este momento não está propriamente no texto, terá que ser subentendido). Quando as coisas não correm como desejámos, porque constatamos que a bela bailarina que cativámos, afinal não é de corda... Aí aprenderemos eventualmente algo de muito útil para o nosso futuro, é que a bailarina de corda é para deixar lá na caixinha do nosso pensamento, porque foi para isso que ela nasceu. Só então estaremos preparados para outra pesquisa por algo mais saciante, a busca do Amor. (É nesta parte que voltamos a encontrar a bailarina, que já olhamos com menos atracção, embora a paixão ainda doa - talvez doa para sempre... Mas estaremos já convictos de que a paixão -se houvesse- que ela tivesse pelo autor seria igualmente fugaz e eganadora). Não nego a possível existência, no passado já longínquo, de uma realidade que acompanha a par o que relatei, mas essa é-nos inútil. Penso que o texto terá mesmo de valer por si.

Beijinho!

Gemini disse...

Olá Cybe!

Foi presenteado como um mimo virtual. Não podia deixar de aceitar. Ao fazê-lo aceitei as regras. Inclui-te nelas, como jamais poderia deixar de fazer. Assim sendo, tens um prémio no "meu cantinho".

Um abraço!

CybeRider disse...

Olá Gemini!
Epá, sei a estima que me tens. Espero que saibas que é recíproca. Estes factos são para mim o maior prémio que me podes dar. Poder ler o que escreves lá no teu sítio é sempre uma adição porreira ao meu dia.

Agradeço-te a lembrança, porém já uma vez troquei ideias de prémios com a Soraia Silva (e onde será que ela anda?... Espero que esteja a ter umas óptimas férias).

Já pensei sobre isto dos prémios e desta vez, por vir de ti, resolvi seguir os links para tentar ver os blogues que o receberam e tentar saber quem o criou (que não percebo o link que está lá gravado... Sou chalado a este ponto!). Não fiquei mais animado.

Veio-me à ideia uma coisa que li há pouco sobre isso:

http://cuidadoaoabrir.blogspot.com/2009/08/importancia-da-filatelia.html

E também uma coisa que está ali ao lado em "letras miudinhas"...

"Só serão aceites a reflexão PRÉMIOS de cima para baixo. E a esses chamamos esmolas (em suma, não se desgracem!)."

Sei que pode parecer antipático, mas pela razão com que iniciei esta resposta, tudo o mais me parece um bocado desnecessário...

Desculpa, porque te tenho grande apreço, e te reconheço a grandeza, mas sou demasiado orgulhoso para poder aceitar algo que não me faz sentido.

Acredita, o defeito não é teu!

Um grande abraço!

pepita chocolate disse...

Tive de cá voltar... pela tua lembrança da caixinha de música!
Há muito que não me lembrava delas... e no prazo de menos de uma semana deparei-me com a ideia delas. e como uma em especial- que até teve uma bailarina, como a tua-me trouxe algumas recordações, sem nunca ter mexido nela, senão ontem.
Coincidência ou não, esta semana, parece que as caixinhas de música quiseram povoar a minhas recordações. não passou de hoje, voltei a dar corda às minhas, e o ouvir fascinada a música que delas saiu.

Obrigada pela lembrança. Porque existem sempre boas recordações, que valem a pena deixar que apareçam!
(desculpa-me deixar as minhas recordações por aqui...)

CybeRider disse...

Adoro imaginar as recordações dos outros, Pepita, torná-las quase minhas. Foi com muito sentimento que li o teu belo texto, ainda contaminado pelo que escrevi neste, achei que não poderia prestar melhor homenagem ao teu relato que a analogia que lá deixei, que já sabia que entenderias.

Beijinho!

Soraia Silva disse...

nunca se pode querer as coisas exclusivamente so para nós, nao podemos querer fecha-las nas nossas maos, e apenas brilharem para nós quando a abrirmos com a intençao de as vermos brilhar so para nós...
isso seria apresionar, apresionar algo ou alguem de quem nao somos donos...

eu por acaso nunca gostei de caixinhas de musicas, fosse com bailarinas, dançarinos, fosse com o que fosse, nunca gostei do tilintar, nunca gostei das "musicas"...
ÀS vezes cansamo-nos um dia das coisas, mesmo que demore. acaba a piada, acaba a beleza, o brilho e nao passa apenas de um objecto...
A essa "Bailarina" acabou o jeito de dançar, acabou a beleza, perdeu o brilho durante toda a sua caminhada...
passou apenas de uma Dançarina a uma mulher dançarina, tao vulgar como muitas outras...

nao devemos ficar "agarrados" à beleza de alguem, quando esta so funciona bem enquanto está ao nosso lado, tal como queremos e gostamos de a ver...

beijinho

CybeRider disse...

Olá Soraia,
Gostemos ou não de caixinhas de música, são brinquedos que se destinam a alegrar pequenos momentos. Muitos de nós também não gostam da música que a vida lhes dá, no entanto têm que a dançar.

Ainda bem que não tiveste que recorrer a uma alegoria para compreenderes esses princípio fundamental.

Este texto foi é uma mera melodia arrepiada de um violino partido, para demonstrar essa ideia elementar.

Beijinho!