domingo, 12 de abril de 2009

O formulário

Sou do tempo em que não haviam estas máquinas preciosas para nos arrumar as ideias em formulários bonitos e nos darem os resultados estatísticos num carregar de botão.

Num brainstorming numa empresa em que trabalhei incumbiram-nos de criar um formulário (mais um) para descrever uma multiplicidade de situações que poderiam acontecer face a determinado acontecimento, que não passo a descrever por ser de uma irrelevância absoluta.

Pensámos. Cada um a seu modo produziu o que achou ser mais adequado.

Farto de tanto formulário e talvez por, no meu caso particular, já me encontrar sobrecarregado de papelada, resolvi apresentar o meu modelo inovador, que acabei por ver eleito no final da discussão. (Não, não tive aumento de ordenado, pelo menos por isso não.)

Tratava-se de um modelo que permitia de facto explanar minuciosamente todas as características derivadas das tais ocorrências, com precisão, objectividade e que permitia a sua própria evolução com o desenrolar das conclusões e o avanço do tempo.

Este rasgo de genialidade, existia já implementado não só na nossa empresa mas em muitas outras, e mesmo em casas particulares e locais públicos. É de facto uma ferramenta poderosa que está ao alcance de qualquer um e que poderia revolucionar todo o sistema burocrático nacional.

Perto do meu formulário qualquer forma de Simplex ou seja lá o que se queira simplificar, no que quer que seja, não passa de fugaz tentativa de aproximação à solução, logo predestinada ao fracasso.

E como sou de facto um benemérito, passo a esclarecer em que consiste efectivamente o meu formulário:

O formulário que tanto enalteço e que me servirá sempre de referência para a organização das minhas descrições e das minhas ideias é de facto... Uma folha em branco.


E agora que preenchi esta reconheço que ficou muito comprometida.



© CybeRider - 2009

8 comentários:

Ogre disse...

Ái o terror da página em branco por onde passam todos os filmes e todas as personagens de pesadelo e angústia.
um abraço para o reino dos algarves

CybeRider disse...

Também fiquei aterrorizado quando acabei de escrever, mas já me passou mais... Um abraço para a tua floresta! :)))

pepita chocolate disse...

Não quero deixar este teu formulário, criado para os comentários, totalmente em branco. Pois, porque aquela tua anedota fez-me rir... Nem o padre acredita em arrependimentos daqueles e lá por ser padre, não está morto...sabe apreciar o belo...

Beijoca e boa semana!

CybeRider disse...

Olá Pepita! É sempre com muito agrado que te vejo preencher estes formulários. Ainda bem que tive algum sucesso no desafio que lançaste.
:)

Beijoca e boa semana para ti!

escarlate.due disse...

aí está um formulário que sempre me agradou: a folha em branco, passivel de ser preenchida ou não!

CybeRider disse...

Olá Escarlate! Obrigado pela visita.
Sou mesmo contra as formas redutoras de estereotipar a maior parte da informação... Nem sempre foi assim.

MorTo Vivo disse...

Epá só me ocorre dizer, A beleza do branco.
Todos os formulários deviam ser assim, como fico irratado quando me pedem para falar de mim através de cruzinhas...

CybeRider disse...

Concordo contigo MV, os formulários são também outra forma de nos reduzirem a números e de nos retirarem os detalhes que nos diferenciam.